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Lembrando Confúcio

Em política, saber não é acúmulo de informações, mas maneira de usá-las

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Pensador e filósofo chinês, Kong Qiu, Confúcio para os ocidentais, criou uma teoria que, 25 séculos depois, permanece até hoje vale como base da ética na política e na vida social, pois é fundamentada na moralidade, no cultivo de virtudes e na junção do saber com a conduta. Para Confúcio, o verdadeiro aprendizado não era uma questão de quantidade de informação acumulada, mas de lucidez sobre os próprios limites.

Didaticamente, a filosofia confucionista estabelece que, quem não sabe o que não sabe, não pode aprender, porque acredita que sabe. Já quem sabe o que não sabe ainda tem o espaço aberto para avançar. Em pleno século 21 e a menos de quatro meses para as eleições em que o povo brasileiro escolherá quem o governará pelos próximos quatro anos, ainda somos obrigados a conviver com candidatos e equipes que teimam em achar que o eleitor brasileiro continua como alvo fácil dos manipuladores.

Sorte do Brasil é que políticos com esse perfil vêm perdendo espaço diariamente com os eleitores brasileiros, notadamente entre os independentes, os quais, conforme dados compilados por especialistas em pesquisas eleitorais, somam hoje 32% do eleitorado nacional. Ainda que estejamos relativamente distantes do pleito de outubro, contrariando as hostes bolsonaristas, boa parte desse percentual já sinaliza na direção do petismo de Luiz Inácio Lula da Silva.

É a certeza de que esses eleitores finalmente se tocaram que o candidato da oposição ainda não percebeu que sua caminhada está apenas começando. Ou seja, lhe falta o que sobra no adversário: tempo de casa, conhecimento prático das quatro operações políticas e, principalmente, pedigree. Em outras palavras, mesmo levitando sobre o pretenso capital político da família, o candidato que nunca administrou coisa alguma, mas sonha com a condução de uma nação de 212 milhões de habitantes, precisa saber que, por enquanto, nada sabe.

Nem os mais espertos conseguem ir tão longe em tão pouco tempo. O patriarca do clã e um tal calçador de marajás que o digam. Como afirmam alguns pensadores, o esperto pode até se dar bem logo de primeira, mas depois virá sua sentença. Para ambos, o martelo da lei tardou, mas chegou e bateu tão forte que eles não tiveram tempo sequer de aprender que o verdadeiro esperto é aquele que conhece os limites da própria ignorância.

Quem sabe um dia alguém lhes diga que a parte que ignoramos é muito maior do que tudo quanto sabemos. Na vida, os espertos acham que sabem tudo, mas não sabem nada, pois, conforme Confúcio, o conhecimento é ilimitado. Já os inteligentes entendem que não sabem de tudo. Por isso, são sábios e avançam. Por analogia, as duas principais candidaturas presidenciais de 2026 são antagônicas até na forma de pensar. Uma tem certeza de que sabe, mas não sabe que nada sabe; a outra sabe que mais importante do que chegar é saber como chegar. Com a palavra os eleitores que já sabem como votar.

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