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Dramaturgia em alta

Em qualquer lugar do mundo, povo sem cultura não se levanta; se ajoelha

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo/Paulo Pinto - ABr

Resposta do homem ao desafio da existência, o conhecimento é vital para a formação e continuidade de uma nação. Aproveitando a afirmação acadêmica de que um povo sem conhecimento de sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes, não há dúvida de que o saber tem poder transformador e, sobretudo, libertador. Um povo que lê e que se informa nunca será um povo de escravos. Independentemente da corrente ideológica, deveria ser obrigação do governante atentar para os conceitos básicos de cultura, os quais também abrange crenças, artes, atitudes, costumes e os hábitos de seus governados.

Deveria, mas nem sempre é. Na verdade, raramente é. Além dos quatro anos em que vivemos por conta da desinformação, consequentemente à margem da informação, ainda hoje há brasileiros do tipo agentes secretos que zombam de nossa ascensão cultural. Foi assim com o filme Ainda Estou Aqui e tem sido assim com o filme O Agente Secreto. Vencedor de numerosos prêmios, entre eles o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o primeiro continua na garganta daqueles que não aceitam o sucesso alheio.

Morrem de inveja, mas não admitem o aplauso a nada que mexa com o passado de seus gurus ideológicos. A tese dominante entre esses é simples: Se eu perco, ninguém pode ganhar. Para azar deles, os astros têm conspirado a favor da dramaturgia e da teledramaturgia nacional. Depois de ganhar dois Globos de Ouro (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Ator), O Agente Secreto recebeu nessa quinta-feira (22) quatro indicações ao Oscar deste ano. O filme de Kleber Mendonça e estrelado por Wagner Moura concorre a Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Ator e Melhor Elenco.

Ambientada em 1977, durante a ditadura militar, a película aborda o tema abuso de poder e ameaças à democracia. Tudo igualzinho ao que vivemos com aquele ex-presidente que as viúvas da tirania idolatram. Para completar a tristeza dos antipatriotas, o cinema brasileiro recebeu uma outra indicação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. O filme Sonhos de Trem, de Adolfo Veloso, concorre na categoria Melhor Fotografia. É o nosso recorde em indicações à Academia.

Como se vê, o início deste ano eleitoral não poderia ser mais promissor para a cultura do Brasil varonil. Contra tudo e todos, até a Globo Luxo faturou dois prêmios internacionais. Na noite dessa terça-feira (20), no Rose d’Or Latinos 2026, em Miami, o remake da novela Vale Tudo venceu como Melhor Telenovela. Já o reality Terceira Metade levou a estatueta de melhor documentário reality ou factual. Sem querer comparar com o que não existiu, nada mais auspicioso para um governante acostumado a produzir boas histórias. Daí o ódio dos que só produzem tragédias.

Quer queiram ou não, nunca antes na história deste país o povo brasileiro esteve tão em evidência no exterior. É nossa cultura mostrando a cara, a força, a raça e a vontade de se superar. Como cultura é o que fica depois de se esquecer tudo o que foi aprendido, quem sabe um dia ainda seremos convencidos de que o saber não é um enfeite da sociedade, mas sua espinha dorsal. Ele está acima das diferenças ideológicas, ou seja, não é de direita e nem de esquerda, mas é apavorante para os ditadores. Poderíamos aproveitar a justa premiação à cultura nacional, para entender definitivamente que um povo sem cultura não se levanta. Se ajoelha.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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