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Sigilos de Lulinha

Enquanto forem suspeitas, estará tudo sob controle

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo

De contradições em contradições, o Brasil vai saindo do rumo ao nada. Ou ao tudo? Avançamos para a 53ª. Posição entre as 69 economias no Ranking Mundial de Competitividade de 2026. É nosso melhor nível desde 2021. Melhoramos em inovação e energias renováveis, mas permanecemos em baixa em itens como infraestrutura, competitividade industrial, educação (básica e profissional), ambiente econômico, excessiva carga tributária, saúde e desigualdade de rendas. Dignamente, superamos a África do Sul, a Mongólia, a subserviente e desvalida Argentina e a insepulta Venezuela.

Não tenho dados para afirmar que essa culpa é do atual governante, de seu antecessor ou de todos que já ocuparam a cadeira mais poderosa do país. Entretanto, tenho certeza de que nosso cenário de devastação tem muito a ver com a inércia, com a ignorância e com o desamor de parte da sociedade com o Brasil. Hoje, muito mais importante do que recuperar política e economicamente a nação, é derrubar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, em defesa de um cidadão sem qualquer serviço prestado ao país.

Como diz o ditado, não sabemos avaliar a saúde quando a temos, mas lamentamos sua falta quando a perdemos. Nada mais simbólico para a quadra que vivemos. Mais uma vez recorro ao Marquês de Maricá para lembrar que “é mais fácil refutar erros do que descobrir verdades”. Uma pena – para usar uma expressão chula -, mas o negacionismo realmente infectou a nação do clã derrotado em 2022. Ser ou não estulto, eis a questão. Antes de se pensar em consolidar a democracia, nada melhor para a oposição do que trabalhar para arruinar de vez o Brasil.

Absurdo? Não! Apenas a confirmação da tese do dramaturgo e escritor Nélson Rodrigues, para quem o povo brasileiro sofre – hoje está em estado terminal – do complexo de vira-lata. Se o povo depender apenas do grupelho que faz oposição ao governo Lula, o Brasil seguirá celeremente rumo ao abismo, com as sinceras condolências dos deputados e senadores dos partidos de interesses particulares e agora do ministro do STF André Mendonça que recentemente determinou quebra de sigilos exclusivamente para atender apelos raivosos de bolsonaristas do palco político da CPMI do INSS.

A mídia e os institutos de pesquisas vinculados à oposição sem rumo se fartaram após a quebra dos sigilos bancários, fiscais e telemáticos de Lulinha, filho mais velho do presidente da República. Por enquanto, são só suspeitas e tentativas de lacração. Tanto que a comissão tem produzido mais imagens para as redes sociais do candidato Flávio Bolsonaro do que resultados concretos. Passa a impressão de que mais vale ter o Lulinha nas mãos do que lutar dignamente para evitar que o Lula 3 vire o Lula 4. Todavia, se houver comprovação de algum ilícito, que Lulinha seja penalizado com o rigor da lei. Aliás, o próprio Lula desde o início da tal CPMI defende investigação para todos.

Em todo esse processo acusatório há dois detalhes que merecem análises mais detalhadas. O primeiro é que o anúncio da quebra dos sigilos de Lulinha pode ser mais fake do que fato, na medida em que, como relator da papelada, André Mendonça deve ter conhecimento pleno e absoluto dos culpados. Afinal, por determinação judicial, todos os sigilos sonhados já foram quebrados. Por que somente agora chegaram nele? Também vale registrar a calma e a leniência de Lula diante das acusações contra o filho. Tudo pode acontecer nessa história, inclusive nada. Interessante é que Luiz Inácio parece particularmente preocupado com as eleições em São Paulo. Por que será? Parto sempre do princípio de que só se rasga quem teme.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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