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Crepuscular

Entre árvores sem frutos, a tristeza dos homens encontra abrigo

Publicado

Autor/Imagem:
Raul de Leoni - Francisco Filippino

 

Poente no meu jardim… O olhar profundo
Alongo sobre as árvores vazias,
Essas em cujo espírito infecundo
Soluçam silenciosas agonias.

Assim estéreis, mansas e sombrias,
Sugerem à emoção em que as circundo
Todas as dolorosas utopias
De todos os filósofos do mundo.

Sugerem… Seus destinos são vizinhos:
Ambas, não dando frutos, abrem ninhos
Ao viandante exânime que as olhe.

Ninhos, onde vencida de fadiga,
A alma ingênua dos pássaros se abriga
E a tristeza dos homens se recolhe…

………………..
Raul de Leoni (1895–1926) foi um poeta e diplomata brasileiro, nascido em Petrópolis. Situada entre o simbolismo e o neoparnasianismo, sua poesia distingue-se pela clareza clássica, pela precisão formal e pelo caráter filosófico. Publicou em vida apenas “Luz Mediterrânea” (1922), obra que assegurou seu lugar na literatura brasileira. Morreu de tuberculose, aos 31 anos, em Itaipava.

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