Saudade
Entre cartas e estrelas
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Tudo repousa ali,
entre páginas desbotadas e flores adormecidas.
Nosso amor de outono, outrora radiante,
hoje é apenas eco em silêncio.
E nesta imagem de saudade
se refletem as cicatrizes do tempo.
Onde nos perdemos?
Que vento nos levou?
Culpado tu, culpada eu,
ou apenas o destino que nos separou?
Éramos chama e claridade,
sol e lua em dança eterna.
Éramos tempestade e relâmpago,
voávamos em delírios celestes.
Nossas folhas e flores transbordavam frescor,
nossas letras eram rubis em música viva.
Éramos montanhas de gelo suspensas no ar,
que se tocavam em segredo,
gritando ao cosmos sua paixão infinita.
E então, o silêncio:
tu partiste como quem chega,
rápido, oculto, inesperado.
Hoje, ao ver nossa história refletida,
atrevi-me a recriar o universo,
um verso que nasce do nada,
tecendo estrelas e memórias
entre cartas amarelas e papoilas eternas.