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Maldição bolsonarista

Entre os escolhidos por Bolsonaro, poucos farão parte da história do Brasil

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Parece brincadeira, mas não é. Lembra uma piada, mas também não é. Soa como zombaria, diversão ou algo parecido com entretenimento, mas longe de mim imaginar coisa tão absurda. Seria uma maldição, uma praga, um conjuro ou uma imprecação? É por aí. O fato é que, nas voltas que o mundo dá, se aproximar, defender, trabalhar em benefício ou sonhar com o apoio de Jair Bolsonaro tem sido sinônimo de desgraça pessoal, física, emocional e, mais frequentemente, política.

Desde a campanha vitoriosa de 2018, muitos foram chamados, mas poucos acabaram escolhidos para se livrar da condenação. Avesso a premonições, diria que, dos escolhidos por Jair Messias, poucos farão parte da história do Brasil. Pivô da primeira crise política do governo Bolsonaro, o então ministro e líder do PSL à época, Gustavo Bebiano abriu o caminho da desdita e do céu para aqueles que ajudaram a forjar o abestalhado adjetivo de mito para Jair Messias. Astrólogo, ensaísta, polemista e influenciador digital, Olavo Carvalho também já partiu para o reino encantado dos bolsonaristas desencantados com o futuro da seita.

Teórico da conspiração, representante intelectual do conservadorismo no Brasil e craque da desinformação, Olavo de Carvalho foi o responsável pelo surgimento da Nova Direita brasileira e pela proposta de inclusão de Jair Messias na seleta lista de personalidades nacionais. O máximo que conseguiu foi transformar Bolsonaro no único presidente da República a perder uma reeleição. Olavo morreu e não deixou saudades nem mesmo entre seus seguidores da doutrina maquiavelista. Que fique por lá e, se voltar, que volte renovado.

O mais novo membro da desgraceira do bolsonarismo é o deputado federal e temporariamente ex-secretário de Segurança de São Paulo Guilherme Derrite. Relator do PL Antifacção, o Capitão Derrite diz que vai, não vai, volta e não consegue sair do lugar com seu relatório. Diriam os mais realistas que Derrite deve derreter antes que aprove o projeto concebido politicamente pelos simpatizantes dos governadores que aplaudem a morte, entre eles Cláudio Castro (RJ) e Tarcísio de Freitas (SP), mentor espiritual do quase derretido Derrite. A caneta Bic do ministro Alexandre de Moraes indica que outros derreterão entre o almoço de novembro e o jantar de dezembro.

No caderninho de anotações pessoais de Xandão constam nomes de generais estrelados, de vários coronéis destrambelhados, de majores e capitães amarelados e de oficiais de forças auxiliares borrados até o coturno. Dos que pularam do barco ainda sobre mares navegáveis, os destaques são os generais Santos Cruz e Rego Barros, ambos colaboradores sérios e corretos de um governo sem predicado algum. Sobraram os mortos-vivos, denominação dada aos deputados e senadores eleitos na cota de Jair Bolsonaro e que até hoje não sabem para que servem a Câmara e o Senado Federal.

Para esses, além de foro usado para cobrar do governo o pagamento rápido das milionárias emendas parlamentares, a tribuna das duas casas legislativas se transformou no palanque ideal para xingar Lula de ladrão. Como cidadão e eleitor, temo principalmente pelo futuro dos simpatizantes do bolsonarismo. Formado por patriotas sem bandeira e por fanáticos sem mito, o grupo lembra um pet que caiu do caminhão de mudança. Sem saber para onde ir e mais ou menos convicta de que a extrema-direita em breve vai requerer falência no Brasil, a maioria deles já começa a pensar na possibilidade de lançar Eduardo Bolsonaro candidato à Presidência da Venezuela tão logo Donald Trump anuncie a queda de Nicolás Maduro.

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Heliodoro Quaresma, jornalista septuagenário, decidiu deixar a aposentadoria em momentos pontuais para se dedicar a escrever artigos para Notibras.

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