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Flos Sanctorum

Entre santos e perigos, um anjo sem nome guarda os passos do poeta

Publicado

Autor/Imagem:
Jorge de Lima - Francisco Filippino

Santa Bárbara que nos livra do corisco.
São Bento que cura mordida de cobra,
São Gonçalo casador.
São Jorge que me cedeu o seu nome
pra meu pai me batizar,
que escolheu o seu dia
pra eu chegar nesse mundo,
que só não me deu seu cavalo
porque o pobre do bichinho
não podia descer da lua!

Pulei tanta tacha de engenho,
passei tanta correnteza,
conheci tanto perau fundo!

E você, meu anjo da guarda,
nunca me disse seu nome,
pra eu fazer um poeminha pra você!

…………………….
Jorge de Lima (1893–1953), nascido em União dos Palmares, Alagoas, foi poeta, romancista, médico e artista plástico. Um dos nomes fundamentais do modernismo brasileiro, sua poesia percorreu vertentes regionalistas, sociais, religiosas e surrealistas. É autor de obras como “Poemas Negros”, “Tempo e Eternidade”, escrito com Murilo Mendes, e “Invenção de Orfeu”, considerada o ponto culminante de sua trajetória literária.

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