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Beatlemania

Era o sargento Pimenta…

Publicado

Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e Foto

“The long and winding road…”
(Lennon & McCartney, 1969)

1968, TUPÃ SP

Pequena cidade perdida no oeste paulista.

A nossa cidade.

Você chegando em nosso hotel – depois de anos com o circo paramos em Tupã onde nossos pais compraram um hotel.

Você e os discos embaixo do braço.

— Beto… chegou! O álbum novo deles: The Beatles.

Hoje, 60 anos depois, sinto o mesmo frio na espinha, a barriga doendo e as pernas bambas.

— Mano!!!!!! Não pode ser!

— É sim… SARGENT PEPPER AND LONELY CLUB BAND!

Ouvimos quase até furar o disco LP “bolachão”.

Até então ouvíamos as novidades apenas pela rádio Bandeirantes de São Paulo, programa “Correspondente Musical” do Hélio Ribeiro.

Todos os anos eram assim.

A cada novo lançamento da EMI/Odeon, mano Mário trazia o disco pra mim e juntos, no nosso quartinho 19, viajávamos nas canções de nossa banda preferida.

1969, TUPÃ SP

— Beto…chegou! ABBEY ROAD!

Foi a virada. Mano Mário já era um adolescente “velho” e eu um menino de 13 anos querendo fugir com o trem da Paulista pro mundo, sei lá…

O fato é que depois deste “bolachão” nós crescemos e iniciamos uma certa “vida adulta”.

Anos 60 pra 70, barra pesada da ditadura no Brasil. Militares proibindo tudo e a igreja rotulando tudo de “pecado”.

E assim seguimos a nossa vidinha de interior jogando futebol, brincando de locutor e repórter na Rádio Piratininga. Mano sempre harmônico e eu: incendiário.

E seguimos.

Veio em seguida LET’IT BE!

E fomos crescendo e a vida quase adulta nos agarrando sem trégua nem piedade.

Nunca mais outro LP “bolachão”.

Os The Beatles se separaram.

No final dos 70 nós também nos separamos.

Ficamos adultos.

2026, SANTA CATARINA

Corremos mundo e chegamos até aqui.

Hoje, com a internet tudo ficou mais próximo. Os discos no toque dos dedos e a facilidade de buscar as velhas canções que nos fizeram felizes. Mas é diferente.

Aqueles momentos da chegada do mano com o disco “da hora” embaixo do braço jamais me abandonaram. Existem agora tão concretos e reais como se pudéssemos romper a transversal do tempo e viver os momentos únicos no quartinho 19.

Nostalgia é tristeza.

Saudade é dádiva.

E vamos… Vamos em frente, mano, com os “Quatro Cavaleiros do Após-Calypso”, como tão bem sacou o Gilberto Gil.

Gratidão, mano. Pura gratidão!

………………………….

Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador de The Beatles, Rolling Stones e todos que vieram no mesmo tempo e depois. Vive na Guarda do Embaú, litoral Sul de SC.

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