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Ano eleitoral

Escolhas e decepções andam de mãos dadas

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

O Brasil está a um passo de uma eleição que, do mesmo modo que pode consolidar a democracia e acalmar de vez os ânimos do povo, do mercado e dos políticos, pode arruinar definitivamente a economia, a saúde, a educação e a segurança nacional e levar para o buraco as relações interpessoais, a cultura e o que ainda resta de boa convivência entre os variados perfis da sociedade. É tudo uma questão de escolha. Na verdade, o escolhido deve ser o menos perigoso e o melhor para os interesses da população e do país.

A menos de um ano do primeiro aniversário do segundo mandato de Donald Trump, a maioria esmagadora dos norte-americanos e imigrantes votantes está até o pote de mágoa com o presidente republicano. Depois de prender e deportar milhares de imigrantes, de ameaçar México, Canadá e Groenlândia com anexações natimortas, de complicar o mundo com seu idiotizado e bombástico tarifaço, de derrubar o regime de Nicolás Maduro e de se associar a Benjamin Netanyahu na falência total da Faixa de Gaza, Trump, novamente com apoio de Netanyahu, invadiu o Irã dos aiatolás.

Toda essa confusão gerou e tem gerado custos estratosféricos à economia estadunidense. Lá como aqui e em qualquer parte do planeta, o prejuízo é de todos. O pretexto é sempre o mesmo:  salvar a população do país atacado das amarras do comunismo e, no caso de Gaza e do Irã, da teocracia islâmica radical. Normal para Trump e letal para as vítimas do chamado “Grande Satã”, o resultado também é sempre o mesmo: centenas de milhares de mortos, inclusive crianças, mulheres e idosos. Só no Irã já são1,2 mil cadáveres.

Além de colocar em xeque a integridade física de civis e militares norte-americanos e de levar o ódio e o ranço do mundo para dentro dos Estados Unidos, o que ele já fez de útil por seus correligionários e conterrâneos? Nada! Um dia, que pode ser amanhã ou em novembro, mês das eleições para renovação do Legislativo local, Trump será responsabilizado pelas barbáries cometidas contra inimigos ideológicos e religiosos, mas, principalmente, pela matança de inocentes.

Na vã, utópica e megalomaníaca proposta de livrar os EUA das mazelas do mundo, o mandatário republicano eleva a escalas inimagináveis o antiamericanismo de quase todo globo terrestre, notadamente do espectro islâmico. Deliberadamente, Donald Trump colocou Netanyahu e os judeus no mesmo abismo cavado sistematicamente pelos muçulmanos para “enterrar” americanos. Por mais que sejam condenados pelo povo do bem, os atentados de ontem e da semana passada certamente voltarão a ocorrer amanhã ou depois de amanhã. Quando eles ressurgirem, Trump e Netanyahu provavelmente estarão bebericando um champanhe francês em um bunker seguro.

E os cidadãos comuns dos EUA e de Israel? Na lista sanguinária do presidente americano resta o regime comunista de Cuba. Depois da Ilha caribenha, qual nação livre será a próxima. Se depender dos fanáticos dos trópicos, o Brasil de Lula da Silva não perde por esperar. Portanto, realmente é tudo uma questão de escolha. Os americanos, que já haviam sofrido os horrores do trumpismo, resolveram apostar na mesma opção maldita. Deu no que está dando. Em outubro, o Brasil ouvirá a voz das urnas. A decisão mais uma vez será exclusivamente do povo. São poucas as alternativas. No entanto, é bom que saibamos que a escolha e as consequências são de cada um dos brasileiros. O presente e o futuro também. Eles e elas estão sempre de mãos dadas.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém como troféu uma velha Remington na estante da sua sala e usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

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