Curta nossa página


Bicampeã

Espanha põe Argentina nas redes até acertar um jab na prorrogação

Publicado

Autor/Imagem:
Marcos Cavalcanti - Foto Getty Image

A Espanha é bicampeã mundial de futebol. O segundo título de sua história foi conquistado neste domingo, 19, depois de uma batalha de 120 minutos contra a Argentina. Uma final dura e nervosa, decidida por Ferran Torres quando o relógio já avançava pelo primeiro minuto da segunda etapa da prorrogação. Foi um golpe seco, preciso e definitivo.

A Argentina resistiu enquanto pôde. Protegeu o rosto, fechou a guarda, suportou a pressão e tentou responder nos contragolpes. Mas, reduzida a dez jogadores desde os acréscimos do tempo normal, acabou encurralada pelas cordas invisíveis de um ringue desenhado sobre o gramado. No fim, caiu.

A Espanha venceu por 1 a 0 e voltou a levantar a taça da Copa do Mundo 16 anos depois da conquista de 2010. Desta vez, não precisou de uma sequência interminável de passes para hipnotizar o adversário. Teve paciência, força física e, sobretudo, sangue-frio para esperar a brecha que transformaria uma longa decisão em eternidade.

Durante o tempo regulamentar, espanhóis e argentinos mediram forças como dois pugilistas que conheciam o poder dos golpes do adversário. Ninguém queria baixar a guarda ou se arriscava a oferecer o queixo.

A Espanha procurava espaços e a Argentina fechava caminhos. De um lado, a bola circulava em busca de uma fresta, e do outro, a defesa sul-americana se multiplicava para impedir que a pressão europeia terminasse dentro da área. Aos poucos, porém, os espanhóis passaram a dominar o centro do ringue.

A Argentina, acostumada a enfrentar partidas dramáticas, permaneceu firme. Lutava com a experiência de quem havia conquistado a Copa anterior e chegara novamente à decisão. Mas o combate sofreu uma mudança decisiva aos 48 minutos do segundo tempo, quando Enzo Fernández foi expulso.

O cartão vermelho não decidiu imediatamente a final, mas tirou dos argentinos uma parte importante de sua resistência. Com um jogador a menos, a equipe teve de reorganizar sua defesa justamente quando as pernas pesavam, o fôlego diminuía e a prorrogação se aproximava. A partir daquele momento, a Argentina deixou de pensar em vencer. Passou a tentar sobreviver.

No primeiro tempo da prorrogação, os argentinos ainda conseguiram permanecer de pé. Cambalearam em alguns momentos, abraçaram-se às cordas e esperaram pelo intervalo como um boxeador que aguarda o toque do gongo para recuperar o ar. Mas não haveria salvação no segundo round.

Logo no primeiro minuto da etapa final do tempo extra, Ferran Torres recebeu a oportunidade que procurara durante toda a decisão. O atacante espanhol apareceu para marcar o gol que derrubou a resistência argentina e fez explodir a torcida da Espanha. A bola entrou, o golpe acertou o alvo e o adversário foi à lona.

Restavam ainda alguns minutos, mas o sentimento era de combate encerrado. Com dez jogadores e exausta, a Argentina já não tinha pernas para uma reação desesperada. Tentou levantar-se, buscou o empate e lançou suas últimas forças ao ataque, mas a Espanha administrou a vantagem com a tranquilidade de quem sabia que a taça estava ao alcance das mãos.

Quando o árbitro encerrou a partida, a Espanha comemorou não apenas uma vitória, mas a confirmação de uma nova era. Uma geração que misturou juventude, talento e coragem atravessou o mata-mata e chegou ao topo do mundo.

A Argentina, por sua vez, deixou o gramado de cabeça baixa. A campeã de 2022 entregou a coroa depois de uma campanha marcada por superação, emoção e resistência. Caiu apenas no último degrau, diante de uma seleção que soube transformar paciência em pressão e domínio em golpe fatal.

A Espanha, literalmente, deixou a Argentina presa em suas redes. Primeiro, envolveu o adversário; depois, apertou o cerco e, por fim, no segundo round da prorrogação, Ferran Torres acertou o golpe do título. Com o nocaute, a taça volta para Madrid.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.