O diplomata do povo
Estatura internacional de Lula pavimenta o caminho para seus sucessores
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É preciso pensar o Brasil pós-Lula com serenidade e responsabilidade. Nenhum projeto político pode depender eternamente de uma única liderança, por mais extraordinária que ela seja. Há quem diga que Lula não fez sucessor. Outros afirmam que a esquerda não tem ninguém capaz de substituí-lo. Essas análises, embora compreensíveis diante da centralidade que ele ocupa na política nacional, simplificam demais um cenário que é muito mais complexo e dinâmico.
Eu avalio diferente. Penso que há muitos nomes promissores e fortes no campo progressista, lideranças com preparo, trajetória e capacidade de diálogo. O que acontece é que se destacar sendo contemporâneo do maior estadista da história do Brasil não é tarefa simples. Quer gostemos dele ou não, Lula é um gênio político: extremamente habilidoso, excelente nas negociações, uma das personalidades brasileiras mais respeitadas no cenário internacional, com trânsito entre chefes de Estado, organismos multilaterais e lideranças globais.
É difícil competir com tudo isso. Quase impossível não ser ofuscado por alguém com tamanha experiência, carisma e capacidade de articulação. Mas isso não significa ausência de quadros ou vazio de liderança. Significa apenas que o tempo político de cada geração tem seu próprio ritmo. O Brasil pós-Lula não será construído por uma cópia de Lula, e sim por novas lideranças que precisarão encontrar seu próprio estilo, aprendendo com ele, mas também imprimindo sua marca em um país que seguirá em transformação.