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A madrugada

Estradas de eternidade

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

A madrugada ainda veste o mundo de silêncio quando o motor desperta.
O caminhoneiro parte, levando consigo não apenas cargas,
mas pedaços invisíveis da vida de todos nós.
Nas rodas que giram, há pão, há remédio, há esperança.

A estrada se abre como um rio sem fim,
com curvas que lembram destinos,
com retas que parecem promessas.
O horizonte é companheiro constante,
e o céu, ora azul, ora cinza, é testemunha de sua travessia.

No rádio, uma canção antiga embala a solidão,
mas o verdadeiro canto vem do próprio asfalto,
que murmura histórias de quem já passou,
de quem ainda virá.

Cada parada é breve: um café quente,
um sorriso trocado com desconhecidos,
um descanso rápido antes de seguir.
Pois o tempo do caminhoneiro não é só dele,
é o tempo da cidade que espera,
da família que precisa,
do mundo que depende.

Quando a noite cobre a estrada de estrelas,
ele segue, firme, como guardião silencioso.
E no coração, sabe:
sem sua jornada, a vida não chega,
o cotidiano não se cumpre,
o amanhã não floresce.

O caminhoneiro é ponte entre distâncias,
é raiz em movimento,
é poesia que se escreve com pneus sobre o chão.

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