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Lua nua

Estrela errante

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Hoje acordei estrela errante,
Lua nua vagando pelo firmamento escuro,
Sol tímido da madrugada que mal ousa aquecer.

Sou ilha remota cercada por muros de silêncio,
noite fria envolta em véus de névoa espessa,
onde o vento sussurra segredos que ninguém mais ouve.

Faço-me dor nas ditaduras cruéis da tristeza,
reino de sombras que me governa sem piedade,
um coração que pulsa em ritmo de eclipse,
solidão irreversível, profunda, quase sagrada.

Sou apenas um pingente de prata
pendurado no imenso céu do abandono,
brilhando sem ninguém para admirar meu fulgor.
E ainda assim, brilho.

Com a loucura delicada das lunáticas estrelas,
transformo a escuridão em vestido de luz fria,
banho-me em poeira cósmica,
bebo o mel amargo da solidão
e danço sozinha no salão infinito da noite.

Porque mesmo perdida entre constelações vazias,
guardo dentro de mim um fogo antigo,
um vulcão adormecido sob a crosta gelada,
esperando o dia em que alguém
venha decifrar o mapa secreto
das minhas lunáticas estrelas.

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