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Lógica e emoção

Evolução faz os jovens verem os idosos como um Código de QR Code

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto Editoria de Imagens/IA

Aprendi com os mais velhos que saber envelhecer é a grande sabedoria da vida. Mais do que entender que cada fase da existência tem seu momento certo, o aprendizado exige aceitação do tempo, cultivo de virtudes e valorização do presente. Por isso, mantenho sempre por perto a bondade, a paciência e a vontade de ajudar. Como é preciso talento para tornar os cabelos grisalhos, a recíproca nem sempre é verdadeira. Com a sapiência de um amigo com amadurecimento de muitas décadas, descobri que envelhecer não é para os fracos.

Muito pelo contrário. Considerado privilégio para os menos apressados, o termo veterano virou sinônimo de incômodo para a sociedade moderna, representada por cidadãos e cidadãs que parecem se irritar com a concessão que eles e elas talvez não alcancem. Posso estar exagerando, mas como aceitar que essa mesma sociedade que prega a inclusão obrigue uma pessoa idosa a usar um smartphone para acessar seus próprios direitos. Didática e democraticamente, isso não é modernismo, tampouco inclusão.

Com todo respeito que minha idade impõe, denomino esse tipo de ação como tentativa clara, criminosa e tecnológica de a comunidade mais jovem se livrar de seus idosos. Na iminência de também virarmos um aplicativo, um código ou um portal, nós, os mais velhos, temos a obrigação de nos insurgirmos contra todos que abominam a velhice. São aqueles que, em nome da evolução, transformaram em analfabetos os que, na ausência de máquinas que pudessem pensar por eles, preferiram as mãos para erguer e consolidar o Brasil.

Fazendo minhas as palavras do amigo capixaba de Domingos Martins, mas, como eu, brasiliense por adoção, como aceitar que, para pagar uma conta, marcar uma consulta ou receber algum direito, haja a necessidade da presença de um filho, de um neto ou de um vizinho disponível. Se não os encontramos, falhamos e, em alguns casos, deixamos de viver. É isso que chamam de inclusão? Considerando que a tecnologia deve ajudar e não selecionar quem tem direito à dignidade, melhor apelidar esses novos tempos de excludentes.

Como a maioria dos que já sessentaram, setentaram ou oitentaram, me sinto desrespeitosamente alijado do processo evolutivo. Por exemplo, virei um incômodo para os gerentes de restaurantes, padarias e pizzarias que optaram pelo cardápio virtual. Nunca fui, não sou e jamais serei obrigado a ler um tal QR Code para pesquisar o que posso ou devo comer. Fico com fome, mas não me dobro à esquisitice da modernidade. Os mais jovens deveriam entender que o envelhecimento não precisa ser um tempo. Não entendem porque certamente acham que nunca ficarão velhos. Uma pena, pois morrerão cedo.

Do alto de minha progressiva retirada do mundo das aparências, diariamente me valho da máxima de que melhor um velho que me ame do que um moço que me assombre. Lembrando à eternidade dos jovens que a velhice não é o fim, mas o ápice da sabedoria e a liberdade das convenções sociais, sugiro que, no dia em que não estiverem mentalmente subordinados à máquina, leiam Dale Carnegie, escritor e orador norte-americano especializado em inteligência emocional aplicada. Conforme os ensinamentos de Carnegie, “Quando lidar com pessoas, lembre-se de que você não está lidando com criaturas de lógica, mas com criaturas de emoção”.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu na estante da sala, e usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

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