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Guerra no Supremo

Fachin vive crise como bêbado em stand de tiro

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Roteiro pronto para um filme de terror com término ainda impreciso, a crise criada no Supremo Tribunal Federal assumiu conotações bem distintas daquelas previstas inicialmente. Não tenho bola de cristal, mas o feeling feminino me leva a crer que a ideia primitiva do presidencial desvio de focos saiu de controle e raivosamente descambou para o que estamos assistindo de um perigoso e assustador camarote.

Com o consentimento de figuras de ponta do Congresso Nacional, dos governos estaduais, de candidatos e do próprio STF, a intenção evoluiu e agora, com todos os áudios produzidos e chancelados pelo fantasma Vorcarinho, a proposta de ruptura e, se possível, de implosão da Corte Suprema parece cada vez mais clara. Com os pés e as mãos presas ao ultrapassado, mas ainda usual, espírito de corpo, o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin não reage como deveria e, por isso, lembra um bêbado em um stand de tiros. É cobrado por Deus e o mundo, mas não responde sequer a si mesmo.

Se faltava a Fachin apoio para as necessárias medidas contra os insurgentes do STF, ele foi publicamente manifestado por 13 ministros aposentados da Corte maior do Judiciário brasileiro, entre eles Carlos Velloso, Rosa Weber, Joaquim Barbosa e Nelson Jobim. Ministros midiáticos como Luiz Roberto Barroso e Marco Aurélio se abstiveram de assinar o documento, por meio do qual, os aposentados apelam a Fachin para que ele convoque urgentemente uma sessão pública para deliberar sobre o caos instalado no Tribunal.

É uma receita republicana capaz de minimizar os efeitos de decisões políticas e reconhecidamente arbitrárias anunciadas para jogar álcool na fervura da campanha presidencial. Ficar no muro nessa óbvia briga da foice e do martelo contra os canhões é subscrever a máxima política de que o povo não merece respeito. É chegada a hora de os ministros sérios do STF fecharem como Fachin para desmistificar a tese recorrente de que, se a justiça realmente existisse, as prisões estariam cheias de excelências e não de pobres.

Perplexa e cansada de picuinhas entre homens e mulheres que são pagos para trabalhar pelo e para o povo, a sociedade, excluindo aqueles que optam pelo caos como a melhor forma de governo, está convicta de nem tudo é o que parece na República Federativa do Brasil e no dia a dia dos cerca de 213,2 milhões de habitantes. Não precisa ser sábio para se perceber que, na pátria na qual nem todos são patriotas, existem almas incríveis em bares escuros e inferninhos devassos e monstros ajoelhados na primeira fila das igrejas

Não tenho interesse em saber quem apoia o ministro Alexandre de Moraes e quem continua se espantando com os tiros eleitoreiros do ministro André Mendonça. O que todos queremos saber é o que o povo tem a ver com o posicionamento partidário de ambos. Se em algum momento um ou outro ministro disse que ninguém poderia levar a sério ou que não era sério, as ações unilaterais e pouco republicanas do ministro que parece estar em campanha são a prova de que passou da hora de o comando da Corte investigar os que estão sob suspeição e de dar um basta na situação, sob pena de não conseguir tirar o Tribunal da lama podre em que dois ou três líderes de governos derrotados o enfiaram.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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