Caso do chiclete
Família da vítima pede indiciamento de grupo que acompanhava ex-piloto
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A família do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, morto após uma agressão em Vicente Pires, no Distrito Federal, intensificou a busca por responsabilização coletiva no caso. Atualmente, apenas o ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, é réu por homicídio doloso qualificado por motivo fútil. No entanto, os parentes da vítima defendem que os outros quatro jovens que acompanhavam o agressor no momento do crime também devem responder pela morte, alegando que o ato foi premeditado e contou com a participação de todos os presentes no veículo.
O assistente de acusação da família, o advogado Albert Halex, confirmou que protocolará pedidos formais para que os demais envolvidos sejam investigados e, eventualmente, incluídos na denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). A estratégia da defesa da família baseia-se em um levantamento detalhado dos fatos, buscando provar que houve uma ação conjunta. Segundo Halex, o objetivo é esclarecer a dinâmica da agressão e a responsabilidade de cada integrante do grupo que cercou o estudante na fatídica noite de 23 de janeiro.
Para o pai da vítima, Ricardo Almeida Castanheira, o crime não foi um evento isolado ou acidental, mas sim uma ação arquitetada. Em declarações emocionadas, ele afirmou acreditar que o grupo se deslocou até o local com a intenção deliberada de matar seu filho, desempenhando funções específicas no momento da violência. A irmã do adolescente reforça essa tese, descrevendo o episódio como algo “planejado e arquitetado”, clamando para que a justiça não se limite apenas ao autor do golpe fatal.
Um dos pontos centrais que sustentam o pedido de revisão da investigação é a suspeita do uso de um instrumento perfurocontundente, como um soco inglês. O pai de Rodrigo questiona a versão de que apenas um soco manual pudesse causar danos cerebrais tão devastadores sem deixar marcas de fratura na mão do agressor. Embora a Polícia Civil tenha apreendido um soco inglês e facas na residência de Pedro Turra durante o cumprimento de um mandado de busca, o uso do objeto no momento da briga ainda não foi confirmado oficialmente pelos laudos periciais.
Enquanto a família luta pela ampliação das investigações, Pedro Turra permanece detido preventivamente no Complexo Penitenciário da Papuda. Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do ex-piloto. Além da esfera criminal, na qual ele pode enfrentar o Tribunal do Júri, o Ministério Público solicitou que o réu seja condenado a pagar uma indenização de R$ 400 mil por danos morais à família de Rodrigo, que faleceu após passar 16 dias internado em estado gravíssimo.
O desdobramento do caso agora depende da análise do MPDFT sobre o possível aditamento da denúncia. Caso o órgão entenda que os elementos apresentados pela família comprovam a coautoria ou participação dos demais jovens, o processo poderá tomar um novo rumo, levando mais pessoas ao banco dos réus. Por enquanto, a defesa de Pedro Turra optou por não se manifestar publicamente sobre o teor da denúncia ou sobre os novos pedidos de investigação feitos pelos familiares da vítima.