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Mentiras do além

Fantasma que atormenta a direita, Lula vive para manter Brasil sem medo

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto Ricardo Stuckert

Mesmo presos, os fantasmas materializados em seres do tipo mito sempre irão nos perseguir e nos assombrar. Por isso, como cidadãos, contribuintes e, principalmente, como eleitores, devemos fortalecer nossa mente e espírito, de modo a evitar que sejamos assombrados por um passado que não tem futuro. Para sorte da maioria do povo brasileiro, diz a lenda que os fantasmas tropicais são melancólicos e geralmente infelizes, quando não francamente deprimidos. O fantasma alegre é coisa rara. Como tem bobo para tudo, tem seres que adoram amar a vida inteira o povo do além, particularmente aqueles que lhes contam mentiras.

São pessoas que encarnam a essência de uma das mais brilhantes frases do Marquês de Sade. Segundo o escritor francês, conhecido por seus desafios às convenções sociais, as paixões humanas não passam dos meios que a natureza utiliza para atingir seus fins. O Brasil de hoje está cheio de criaturas que agem desse modo. Nessa terça-feira, também conhecida por ontem, estava eu cortando o que ainda me resta de cabelo, quando adentrou o recinto um desses cobaias capazes de qualquer sacrifício para agradar o capitão enjaulado. Posso estar exagerando, mas a maioria dos capachos topa até nadar de costas em rios infestados de caninanas e surucucus.

Nada contra aqueles que prazerosamente aceitam a robotização de ideias e de pensamentos. Inaceitável é aceitar – ou engolir – a idiotização. Com cara de militar que, apesar dos bordões patriotas, nunca serviu ao país, o sujeito disse em alto e bom para seu barbeiro que adquiriu um câncer. Até aí, tudo dentro da normalidade. Pior foi ouvir que seu câncer é uma decorrência da vacina contra a Covid-19. Segundo o estulto cidadão, além de carcinomas em idosos, a medicação antivírus vem enfraquecendo o coração dos jovens. É claro que ele jamais vai assumir que enfraquecida está sua capacidade mental.

Pedindo escusas a Deus, uma pena que o câncer do moço não seja na língua. Não disse, mas tive vontade de dizer ao pobre coitado que sua vida pessoal deve ser muito mais assustadora do que suas incômodas e perversas frases. Infelizmente, é muito mais difícil matar um fantasma do que matar uma realidade. Vale registrar que, para os patriotas que um dia acreditaram que os extraterrestres pousariam em Brasília para impedir o Lula 3, tudo é possível. Ainda bem que, faz três anos e meses, conseguimos recuperar o status de nação alegre, feliz e verdadeira.

A partir dessa conquista, colocamos um pouco de vida e de luz na casa dos mortos. Sem medo das sombras, a tragédia representada pelo governo Jair Bolsonaro é como o fantasma do vagão, aquele que assusta principalmente os ignorantes, os intolerantes e os que acreditam em duendes e mitos. Como o passado é um fantasma que só tem força quando o presente não tem graça, o risco de um novo susto como o de 2018 é mais remoto do que o sol nascer redondo na empavonada e espaçosa quitinete da Papudinha. E que venha Flávio Bolsonaro e seus correligionários da extrema-direita, todos exibicionistas póstumos como qualquer um dos fantasmas criados por Mário Quintana.

Apesar da pantomima do candidato dos extremistas, no Brasil dos verdadeiros brasileiros os fantasmas desnecessários foram mortos, banidos, esquecidos ou estão presos. Há novas e vivas cores no país. Segundo da dinastia de tocadores da matilha do fascismo, Flávio Bolsonaro é apenas mais um fantasma representando o bolsonarismo. Como os fantasmas não assustam mais a massa, é bom que o filho 01 de Jair Bolsonaro comece a repensar sua tese carnavalesca de que o próximo “rebaixamento” será o de Luiz Inácio. Fantasma de carnavais passados, Lula é conservado na memória do povo e não em fantasias. Portanto, ainda que também o vejam como um fantasma, ele vive, incomoda e amedronta.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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