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Esqueletos fora do armário

Fantasmas do Jair ameaçam sair em bloco dos laptops e celulares

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto Reprodução/Segredos do mundo

Pedindo perdão pelo uso de alguns pleonasmos em pleno período de Momo, vou sussurrar baixinho para que o restante dos “patriotas” ouça com os ouvidos que o panorama geral não é nada bom para os nobres brasileiros que compareceram pessoalmente à reunião convocada por aquele presidente que queria subir para cima de qualquer maneira. Considerando que, desde o início de sua vida pública ele planejou antecipadamente tomar o poder na marra, nada do que estou contando é novidade inédita. Ainda como deputado federal, ele gritava bem alto para uma multidão de pessoas que entraria para dentro, seguiria em frente e não voltaria atrás, independentemente da opinião da maioria dos eleitores.

Ainda era um sujeito oculto. Para surpresa inesperada, acabou como protagonista principal de uma história com começo inconfessável, meio imaginável e fim inevitável. A conclusão final é simples: o que teve início enganoso não poderia ter final auspicioso. No último dos pleonasmos consentidos, o fato venéreo é que os fantasmas escondidos nos armários escuros do poder pretoriano por Jair Bolsonaro e por seus colaboradores golpistas tiraram as máscaras e reapareceram para assustar quem nos assustou durante quatro carnavalescos anos. Como diria nosso coleguinha José Seabra, mestre do xadrez, já derrubaram todos os peões, as duas torres, os dois cavalos e prenderam os bispos. Falta apenas o rei. A rainha, tudo indica, fugiu com o maquiador.

Responsável pela eleição de Jair em 2018, o advogado Gustavo Bebiano ficou apenas 48 dias aboletado na cadeira de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Foi saído pelas unhas afiadas do vereador Carlos Bolsonaro. Bebiano morreu em março de 2020, mas é um dos terríveis carregadores de correntes que assombram o ex-presidente, na medida em que numerosos amigos e alguns amigos dos amigos sabem tudo que ele sabia. Em outubro de 2019, em entrevista ao site Congresso em Foco, Gustavo Bebiano colocou o guizo em todos os bois que, no dia 8 de janeiro de 2023, tentaram empurrar a boiada rumo ao curral que eles imaginavam sem touros. Embora fosse um curral, deram com os burros n’água.

Os nomes são os mesmos da desastrosa reunião ministerial de 5 de julho de 2022, quando o agrupamento do mal tramou o show de horrores, desprezou a democracia, defecou baixarias sobre os ambientes políticos e rompeu com todos os limites de razoabilidade. Transformado em vídeo por um fantasma vivo, o destrambelhamento presidencial deverá levar Jair e sua tribo golpista aos píncaros da majestosa glória das quatro paredes cinzentas, rodeadas de muros altos e guaritas modorrentas, onde já estão 59 briosos “patriotas”. Aliás, as almas penadas que atormentaram milhões de brasileiros hoje atormentam o fantasmagórico ex-presidente e suas graduadas assombrações de capa, coturno e baioneta.

Auxiliada por Valdemar Costa Neto, presidente do Partido das Lágrimas (PL), o grupelho acreditava no poder, na força e na coragem que nunca teve. Prova disso foi o desmaio de um oficial tão logo ficou sabendo que era alvo de operação da Polícia Federal. Machos pero no mucho. Geniais às avessas, o nível dos golpistas de gabinete era tamanho que bastava saber a raiz quadrada de 16 para que o candidato fosse introduzido na turba que tinha por objetivo final arrancar o ministro Alexandre de Moraes do plenário do STF pelos cabelos. De tão bons, deixaram as digitais em todas as ferramentas que usaram, principalmente nos laptops e celulares. Notável e nobre na articulação e no consentimento de causas políticas nada republicanas, Valdemar é outro espírito andante a preocupar o clã. É uma verdadeira caixinha de surpresas.

Como toda aparição, a famiglia, Valdemar, o PL e seguidores apelam insistentemente para as teses da perseguição e da vitimização. Não colam mais. Na verdade, nunca colaram. Certamente é mais uma estratégia ou obsessão dos vampiros da pátria. Os esqueletos estão fora dos armários. Seguindo a frase do próprio Bolsonaro, “dias difíceis virão”. No mundo físico, são remotíssimas as chances de salvação. No espiritual, o ritual da prestação de contas já ferve no caldeirão. Enfim, entre o pesadelo da execração ao vivo e em cores e a prisão, resta ao inviajável ex-presidente enfrentar seus fantasmas com coragem ou passar o fim da vida assombrado por eles.

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