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Egito bate Austrália

Faraós afogam cangurus e esperam tango com Messi ou um beijo em Vozinha

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Autor/Imagem:
Marcos Cavalcanti - Foto Getty Image

Os faraós sobreviveram a mais uma travessia. Depois de cruzarem um mar de tensão durante 120 minutos, afundaram os cangurus na loteria dos pênaltis e escreveram mais um capítulo histórico da Copa do Mundo de 2026. Após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, o Egito venceu a Austrália por 4 a 2 nas cobranças e garantiu presença nas oitavas de final do Mundial. Agora, o Nilo desemboca em um novo destino: os egípcios aguardam o vencedor do duelo entre Argentina e Cabo Verde. Será um tango comandado por Lionel Messi ou um beijo em Vozinha embalado pelo sonho africano.

No tempo regulamentar, o Egito parecia disposto a erguer mais uma pirâmide em solo norte-americano. Emam Ashour colocou os africanos em vantagem ainda no primeiro tempo, aproveitando o melhor momento da equipe. A Austrália, fiel ao espírito de sobrevivência que caracteriza os Socceroos, voltou do intervalo mais agressiva e empatou com um gol contra de Mohamed Hany, levando a partida para um roteiro dramático.

A prorrogação foi um deserto de poucas emoções. As duas seleções pareciam conscientes de que qualquer passo em falso poderia significar o fim da viagem. Preferiram guardar forças e nervos para o momento mais cruel do futebol: a marca da cal.

Foi então que os faraós mostraram sangue frio. Salah, símbolo máximo da equipe, teve a serenidade de um rei antigo ao converter sua cobrança com uma ousada cavadinha. Do outro lado, os cangurus desperdiçaram duas cobranças, uma por cima do travessão e outra na barra, permitindo que o Egito conquistasse sua primeira vitória em um mata-mata de Copa do Mundo.

A classificação mantém viva a campanha mais marcante da história recente do futebol egípcio. Depois de romper a barreira da fase de grupos, a equipe comandada por Hossam Hassan prova que não pretende ser apenas uma visitante ilustre na festa do Mundial.

Agora resta esperar o próximo capítulo. Se a Argentina confirmar o favoritismo, o Egito terá pela frente o tango de Messi e companhia, em um duelo cercado de simbolismo entre uma potência do futebol e uma seleção em ascensão. Mas, se Cabo Verde surpreender, os faraós encontrarão outro representante africano disposto a transformar o tradicional “beijo em Vozinha” em um abraço continental rumo às quartas de final.

Seja qual for o adversário, o Egito já mostrou que, nesta Copa, há espaço para milagres antigos e sonhos modernos. Afinal, quando os faraós atravessam o deserto sem perder a fé, até os cangurus acabam afundando nas águas do Nilo.

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