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Buraco negro

Fato e fake darão ao Brasil nova chance de lavar a alma em outubro

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Precisamos lavar novamente a alma. Lavamos em 1985, com a ascensão de José Sarney como o primeiro presidente civil pós-1964, e enxaguamos em 1989, ano da primeira eleição direta depois da ditadura, consequentemente da maldita chegada de Fernando Collor à Presidência da República. Não foi o que melhor nos ocorreu, mas foram os primeiros passos da democracia pela qual devemos lutar dia e noite. De 1968 até hoje experimentamos fatos e mudanças inesquecíveis. Numerosos líderes da política regional, nacional e mundial ficaram pelo caminho.

Alguns tiveram de trocar a pompa e o traje de gala por roupas simplórias de cidadão comum e, por algum tempo, por uniformes de presidiário. Outros ainda clamam por “justissa” (assim mesmo com dois esses), a fim de reparar erros que juram não ter cometido. Personalidades milionárias que se achavam mitos se afogaram na arrogância e na prepotência e acabaram perdendo a presidência da maior democracia do mundo. Uma delas voltou só para azucrinar a vida dos que estavam em paz.

Voltou, mas antes, não sei por qual razão, virou temporariamente comentarista de espetáculos de boxe envolvendo lutadores aposentados, entre eles dois brasileiros. Pior foi o fim anunciado dos que ainda se acham mitos, mas não passam de repetidores de preconceitos e de frases de efeito amplificadas por quem se achava – ou se acha – superior a seu próprio umbigo. É o fim de todos os que se imaginam acima do bem e do mal. Um dia a casa cai. A do moço que representa Tio Sam já caiu uma vez e tende a cair novamente a qualquer momento.

No Brasil não é diferente. Filho 02 de um assustado e preocupado clã político, o ex-deputado federal mordeu a língua e se afundou na própria saliva. No início da gestão do atual presidente da República, ele chegou a anunciar a criação de um movimento para difundir ideias conservadoras e combater um suposto predomínio da esquerda em áreas como universidades, imprensa e meios culturais. Para quem não se lembra, esses são segmentos contra os quais pai do parlamentar passou quatro anos tentando expurgá-los do cotidiano nacional.

Entre fatos e fakes, o então deputado naufragou, pois se mostrou pequeno demais para lutar contra setores representativos da liberdade do povo brasileiro. Auxiliada por doidões pelo poder e adoradores da lua, a família não é de hoje se propõe a ter uma nação para chamar de sua. Eduardo Bolsonaro partiu para os Estados, onde tentou de tudo para minar as resistências do líder do petismo. Mais uma vez morreu na praia por falta de tutano para entender que a maioria sintonizada com a esquerda só é esquerda por ter horror à direita, particularmente à extrema-direita.

Outubro está logo ali. Teremos mais uma oportunidade para enxaguar a alma. É claro que todos têm o direito de concorrer ao cargo mais alto do país, inclusive aqueles estiveram no topo do poder e nada fizeram. Se são tão bons ou melhores do que a liderança que os derrotou em 2022, gostaria de saber quantos projetos as santidades do pau oco apresentaram no período em que comandaram a nação. Que eu saiba, nenhum. São apenas gritos. É a oposição do buraco negro, aquela que tenta engolir tudo e todos que se aproximam delas.

Lavar a alma não é apenas uma metáfora no país em que os conservadores de beira de estrada adoram a atacar, mas se borram quando são atacados. Diz o ditado que quem com ferro fere, com ferro será sempre ferido. É o caso do senador e candidato Flávio Bolsonaro. Com apoio do irmão Carlos Bolsonaro e da bancada do PL de Valdemar Costa Neto, ele postou recentemente nas redes sociais três vídeos associando Lula da Silva e o PT ao PCC. Lula não rancoroso. Se fosse, certamente falaria ao mundo sobre a milícia do Rio de Janeiro e seus representantes em Brasília, notadamente no Congresso Nacional. Aí o jogo ficaria um a um.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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