Líder supremo
Filho de Khamenei vira aiatolá para vingar pai e vencer guerra para Irã
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A escolha de Mojtaba Khamenei como novo Líder Supremo do Irã, oficializada neste domingo, 8, pela Assembleia de Peritos, sinaliza que Teerã deverá manter uma linha de confronto direto no atual conflito com os Estados Unidos e Israel. Filho de Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques lançados em 28 de fevereiro, Mojtaba assume o poder cercado por um ambiente de radicalização interna e forte pressão militar externa. Nos bastidores do regime, ele sempre foi identificado como representante da ala mais conservadora e menos inclinada a qualquer distensão diplomática.
Aos 56 anos, Mojtaba construiu sua influência longe dos palanques, mas muito perto do núcleo decisório da República Islâmica. Com relações históricas com a Guarda Revolucionária Islâmica e ligação estreita com a Força Quds, ele é visto como um dirigente de perfil rígido, moldado pela lógica de segurança e resistência armada. Sua experiência em unidade de combate durante a Guerra Irã-Iraque reforça essa imagem de dirigente pouco propenso a concessões, especialmente num momento em que parte do establishment iraniano defende resposta contínua aos bombardeios estrangeiros.
Mesmo sem ostentar formalmente durante anos o título de aiatolá, Mojtaba já exercia influência decisiva sobre o gabinete do pai e sobre a engrenagem política do regime. Em 2019, o próprio governo americano o classificou como figura central do poder iraniano, ao impor sanções por sua atuação indireta em nome de Ali Khamenei. Agora elevado ao topo da hierarquia religiosa e política, ele herda não apenas o comando do Estado, mas também o desafio de administrar uma guerra aberta, agravada pela morte de sua esposa, Zahra Haddad-Adel, nos mesmos ataques que atingiram sua família. Em Teerã, a leitura predominante é de que a nova liderança deverá endurecer ainda mais o discurso de resistência, mantendo o conflito ativo enquanto houver ataques ou ameaças externas.
