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Caldas Novas-GO

Filho de síndico que matou corretora é solto

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto de Arquivo

A Justiça determinou a soltura de Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico Cleber Rosa de Oliveira, que confessou o assassinato da corretora Daiane Alves, de 43 anos, em Caldas Novas. Maicon estava preso temporariamente desde o dia 28 de janeiro, enquanto a Polícia Civil investigava se ele teria auxiliado no homicídio ou tentado obstruir o trabalho dos peritos. Após o avanço das diligências, as autoridades concluíram que ele não teve qualquer envolvimento no crime.

Segundo o delegado André Luiz Barbosa, responsável pelo caso, Maicon Douglas possuía um álibi sólido: no dia 17 de dezembro, data em que Daiane foi morta com dois tiros na cabeça, ele estava na cidade de Catalão, onde residia. A defesa do jovem reforçou a inocência apresentando um “acervo probatório irrefutável”, que incluiu registos de ponto laboral, mensagens de telemóvel e laudos técnicos que comprovaram que ele sequer estava em Caldas Novas no momento da execução.

A suspeita inicial sobre o filho do síndico surgiu devido à compra de um telemóvel novo para o pai no dia 17 de janeiro, poucas horas após a perícia no veículo utilizado para transportar o corpo da vítima. A polícia interpretou a troca do aparelho como uma possível manobra para ocultar provas ou comunicações incriminatórias. No entanto, o depoimento de Maicon esclareceu que a substituição do aparelho teve uma motivação exclusivamente financeira e administrativa.

Maicon admitiu que soube do crime através do pai no dia 15 de janeiro e que a compra do novo telemóvel visava garantir que a família continuasse a ter acesso às aplicações bancárias do condomínio. Como Cleber era o síndico e o administrador das contas, temia-se que a apreensão do seu aparelho original impedisse o pagamento de despesas essenciais e a gestão dos recursos da associação de moradores, uma vez que ele já antecipava a sua própria prisão.

A investigação revelou ainda que Cleber teria utilizado verbas do condomínio para custear a sua defesa jurídica. O atual presidente da associação registou uma ocorrência informando sobre uma transferência via PIX, realizada pelo síndico para a conta do filho, no valor exato dos honorários contratuais dos advogados. Devido a estes indícios, o Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) instaurou um procedimento próprio para apurar eventuais crimes patrimoniais e gestão fraudulenta.

Em nota oficial, os advogados de Maicon Douglas criticaram a “execração pública” sofrida pelo jovem e celebraram o arquivamento das suspeitas, afirmando que a ciência e a técnica demonstraram a sua “absoluta inocência”.

A defesa sublinhou que a prisão temporária foi uma medida extrema pautada em pressupostos infundados e que o desfecho era a única resposta juridicamente aceitável perante as provas apresentadas.

Por outro lado, a defesa de Cleber Rosa de Oliveira, que permanece detido e foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, informou que o cliente segue à disposição da Justiça com uma postura colaborativa. Os advogados do síndico declararam que as circunstâncias do caso serão discutidas apenas pela via judicial, ressaltando que os procedimentos correm sob segredo de justiça enquanto aguardam a deliberação do Ministério Público.

O crime, que chocou a região sul de Goiás, ocorreu no prédio onde a corretora morava. Após ser morta, Daiane foi transportada por Cleber até uma zona de mata às margens da GO-213, onde o corpo foi localizado. Com a soltura de Maicon e o encerramento do inquérito principal, o foco das autoridades agora divide-se entre a condenação do autor confesso e a auditoria das contas do condomínio geridas por ele durante o período do crime.

Cronologia dos Factos

• 17 de dezembro: Daiane Alves é morta com dois tiros na cabeça no prédio onde morava; Cleber Rosa transporta o corpo até a GO-213. Maicon Douglas está em Catalão (álibi confirmado).

• 15 de janeiro: Cleber confessa o crime ao filho, Maicon, e manifesta receio de ser preso e perder acesso às contas do condomínio.

• 17 de janeiro: Realizada a perícia no carro de Cleber. Três horas depois, Maicon compra um telemóvel novo para o pai.

• 18 de janeiro: Atual presidente do condomínio regista boletim de ocorrência sobre transferência via PIX suspeita para pagamento de advogados.

• 28 de janeiro: Maicon Douglas e Cleber Rosa são presos temporariamente pela Polícia Civil.

• 19 de fevereiro: Maicon Douglas é solto após a polícia concluir que a troca do telemóvel não visava obstruir a justiça e confirmar o seu álibi técnico.

• 20 de fevereiro: Defesa de Cleber reafirma postura colaborativa enquanto o caso segue para o Ministério Público em segredo de justiça.

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Saiba mais sobre o caso:

.https://www.notibras.com/site/video-recuperado-revela-emboscada-e-premeditacao-em-assassinato/

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