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Depois de Dark Horse

Filmes famosos marcam semana política tensa

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Valter Campanato

Por mais antigo e sábio que possa parecer, nenhum provérbio popular contém qualquer valor científico. Entretanto, para a Polícia Federal, nenhum deles pode ser considerado desprezível. Um deles diz que o urubu na maré de azar o de baixo caga na cabeça do de cima. Usando a mesma ave de agouro, um outro revela que, quando ainda está caipora, isto é, em uma situação de azar extremo, o urubu se atola até no lajeiro, também conhecido por formações rochosas.

Enfim, trazendo para o nosso dia a dia, também chamam de urubuzada a fase em que tudo dá errado e a pessoa parece atrair infortúnios de forma absurda. Mesmo sem valor científico, o ditado genuinamente brasileiro alcançou defuntamente o útero do clã de Jair Messias, o CPF de Flávio Bolsonaro e o green card de Eduardo Bolsonaro, o Dudu do Hambúrguer. O metafórico urubu também pegará todos os que tiverem DNA parecido com o golpismo.

Terá sido algum trabalho sujo de algum macumbeiro ligado ao sapo barbudo? Não sei! O que sei é que, faltando 150 dias para as eleições que novamente colocarão frente à frente os representantes do progresso e do retrocesso, bastaram oito dias para que o inferno astral de Flávio Bolsonaro, o 01, se manifestasse publicamente. Realmente foi uma semana desafortunada. Nesse período, os soluços sobre o Dark Horse, o filme do tipo a volta dos que não foram, deram lugar a icônicas frases de filmes tristes, os quais geralmente exploram o luto e a perda de alguém ou de alguma coisa.

Ao ter sua casa revirada nessa sexta-feira (15), o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, deve ter se lembrado de O Náufrago e pensado: “Desculpe, Flávio! Flávio, me desculpe”. Aliado de copa e cozinha da famiglia, Cláudio Castro, foi o último dos moicanos a entrar na nova pista de dança da vigarice política. Pelo tom acelerado da música, muitos outros virão. O primeiro foi o senador Ciro Nogueira (PP-PI), cuja mesada do Master certamente o remeteu a uma das célebres citações de Forrest Gump: “Mamãe sempre dizia que morrer faz parte da vida. Eu queria tanto que não fosse”.

A divulgação do áudio do trelelê entre Flávio e Daniel Vorcaro certamente levou meio mundo de patriotas de volta ao passado com o Senhor dos Anéis, no qual um dos personagens, tentando reafirmar sua lealdade com o parceiro, sacramenta: “Eu teria te seguido, meu irmão, meu capitão, meu rei”. Cinéfilo com firma reconhecida em qualquer seção eleitoral, hoje eu tenho certeza de que Sangue Negro é a obra cinematográfica mais recomendada para ilustrar a semana bolsonarista. Em um momento de dor, o protagonista reconhece o óbvio: “Acabou para mim”.

Dizem que, como Deus não joga dados, o azar não existe. Então, como explicar esses oito dias vividos pelo candidato Flávio Bolsonaro? De tão azarado, penso que, se ele quisesse achar uma agulha no palheiro, era só sentar nele. Sugiro que, antes de sonhar com a sétima arte e com a fita que produz a respeito do pai, 01 reveja Ultimato e se reconheça na frase “A minha melhor regra é esperarmos o melhor e prepararmo-nos para o pior”. Se preferir, convide Ciro Nogueira, Daniel Vorcaro para assistirem Coringa juntos. Em uma das cenas, o fracassado comediante Arthur Fleck se sente isolado, intimidado e desconsiderado pela sociedade.

É aí que libera para o mundo o que todos já sabiam: “Eu pensava que minha vida fosse uma tragédia. Agora me dou conta de que é uma comédia”. Alguém duvida? Quanto a Cláudio Castro, acho que ele está À Espera de um Milagre. Se Deus não quiser ouvi-lo, provavelmente o moço será o sétimo governador do Rio a ser alvo de uma operação policial. Nos últimos 30 anos, todos os governadores eleitos foram presos, cassados, sofreram impeachment ou ficaram inelegíveis. Diante dessas evidências me resta afirmar que o Palácio Guanabara é mesmo uma Mansão Mal-Assombrada. Quanto ao Extraterrestre Cidadão Kane, melhor que ele não enfrente o Touro Indomável.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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