Mais uma do 01
Fim da reeleição para cargos políticos tem cheiro de proposta fake
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Está de volta ao cenário artístico da política nacional o modo em que o candidato finge que fala a verdade e seus fanáticos seguidores fingem que acreditam. À direita do palco iluminado, o astro Flávio Bolsonaro encena a nova versão da fictícia peça A Grande Mentira. Senador de poucos ou nenhum projeto e candidato de categoria muito aquém da permitida pelos eleitores com um mínimo de discernimento, Flávio Bolsonaro, o 01, do pai Jair Bolsonaro, parece não saber mais o que fazer para impedir uma eventual derrota antecipada para Luiz Inácio. Hoje ele tem medo da própria sombra.
Por meio das redes sociais que o ajudam a desinformar o país, o candidato da idolatria que acha insanos todos os que são normais anunciou que apresentará à Mesa do Congresso uma PEC proibindo a reeleição de presidentes, governadores e prefeitos. Se a ideia é transformar a pauta em vitrine política para atrair partidos indecisos, o sonho é natimorto, na medida em que a maioria dos líderes partidários certamente avalia a proposta como o primeiro fake oficial produzido por 01.
Em se tratando de um representante do suburbano clã que fez de tudo para se manter sob as luzes da ribalta, a notícia soa mais como piada do que uma intenção menos séria. O raciocínio é lógico. Como imaginar que, de repente, um político esquece que defendeu o golpe articulado contra um presidente democraticamente eleito e joga no lixo a obsessão familiar pela perpetuação no poder. Logo ele que, embora seja tão amador como os demais entes, é o queridinho do pai.
Obviamente que, assim como o carnavalesco e improvável recurso à Justiça Eleitoral para impedir que Lula dispute as eleições de outubro, a tal PEC sobre a reeleição deverá seguir o caminho do arquivo morto. Talvez seja enterrada antes. Com todo respeito ao tenebroso silêncio do voto, mas, tão pífia como a ideia do pífio candidato Flávio Bolsonaro, é a imaginação de alguém que acha que 01 tem realmente condições de peitar Luiz Inácio em uma disputa eleitoral.
Como diz a gíria profana e popularesca, nem usando aquela expressão idiomática brasileira de calão que indica total impossibilidade, recusa absoluta ou descrença extrema em algo, ou seja, nem…É a velha distância e o desejar e o querer. Tanto Luiz Inácio quanto Flávio Bolsonaro estão mais do que informados que a definição da eleição está nas mãos dos eleitores independentes. Em outras palavras, do mesmo modo que os lulistas não elegem Lula, os bolsonaristas não elegem nenhum dos Bolsonaro à Presidência da República.
Não tenho bola de cristal e passo ao largo das visões futurísticas. No entanto, os números indicam de forma clara e conclusiva que, a menos que haja uma mudança radical nos conceitos da extrema-direita ou que surja um candidato de menor empáfia e com muito mais profissionalismo, é grande – diria que enorme – o risco de o Lula 3 virar Lula 4. Quem viver, verá.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978