Recado dado
Fim do tarifaço presenteia Lula e implode pressão do clã Bolsonaro
Publicado
em
Único dos países super taxados por Donald Trump, o Brasil faz tempo que tem um grupo político interno que atua contra a própria pátria. Curiosamente, são os mesmos que, carnavalescamente, se apresentam como patriotas. No México, Canadá e China, entre muitos outros, todas as forças se uniram para defender seus países. Por aqui, a extrema-direita bolsonarista assumiu o complexo de viralatismo e não só aplaudiu o presidente norte-americano como forçou a barra para que taxasse sorrateira e virulentamente as exportações brasileiras.
Não sou vidente, mas tenho certeza de que, após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar as taxas impostas pelo camarada Trump, os extremistas brasileiros hoje liderados pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro devem estar com a pressão arterial, funcional, sexual e bestial nas alturas, quase explodindo. Às vésperas das eleições presidenciais no Brasil, o fim do tarifaço mais parece um pacotão simbólico de bondades caindo no colo do presidente e candidato Luiz Inácio Lula da silva.
Nessa altura do polarizado cenário político nacional, nada melhor do que um vitória global para amenizar a suposta dor com o rebaixamento da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, cujo enredo homenageou Lula 1, 2, 3 e, quem sabe 4. Sinal positivo para o Estado Democrático de Direito, o corte das asas do líder republicano mostrou ao mundo que todos que falam demais acabam dando bom dia a cavalo, aos jumentos, às mulas e a todos os descendentes equinos.
Para os esquecidos, enquanto Donald Trump esbravejava e Eduardo Bolsonaro conspirava, Luiz Inácio, com a força de um leão e a prudência das serpentes, diplomaticamente pensava, pensava, ruminava, comia pelas beiradas e aguardava como qualquer menino mijado que o colega dos EUA o visse como líder e não como menino de recados. O clima pintou e, a partir daí, o diálogo foi retomado. O resultado foi aquele que se viu, que o mundo aplaudiu, que o próprio Trump instruiu, que a Globo Lixo reproduziu e que, por conta dele, o bolsonarismo desmilinguiu.
Sem xingamentos, impropérios e críticas, Lula venceu o primeiro round da batalha econômica sem dar um tiro. Por isso, como cabe a todos os líderes com um mínimo de tutano, o presidente do Brasil comemorou positiva e cautelosamente a derrubada do tarifaço. O segundo round é esperado para março, quando Lula se encontrará com Donald Trump na Casa Branca. A expectativa é que o encontro contribua para a retirada do restante das tarifas impostas pelos EUA às exportações brasileiras.
Enquanto março não chega, Trump tenta amenizar a maior derrota de seu segundo mandato presidencial adjetivando a decisão da Suprema Corte de “profundamente decepcionante”. Não tenho o dom da verdade, tampouco o chicote do mundo. Entretanto, sei que quem governa os destinos de um país não pode fazê-lo como se administrasse o quintal de sua casa. Tomara que, como ocorreu recentemente com Jair Bolsonaro, que Trump aprenda de uma vez que ele até pode ter poderes para defender o mundo, mas não para governá-lo. Recado dado. Moral da história: O Diabo atentou e Trump escorregou, Deus ajudou e Lula comemorou, o Satanás de rabo atolou e Dudu do Hambúrguer se finou.
……..
Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras