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Pamonha recheada

Fingidores políticos fingem ser honestos

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Diante do que insistentemente tenho ouvido acerca da grandeza política da família Bolsonaro, o caminho para evitar mal maior realmente é o do silêncio. Na verdade, fiz melhor. Resignei-me à ignorância, que, conforme o eterno escritor Luis Fernando Veríssimo, ainda é a forma mais cômoda de sabedoria. Como ironia tem de ser sempre entendida como ironia, prefiro a desconfiança de que o fanatismo exagerado e a necessidade quase patológica desse povo tentar se afirmar como patriota é igual a uma pamonha doce, mas recheada com linguiça apimentada: ninguém come.

E sabem por quê? Eu realmente não sei, mas, também de acordo com Veríssimo, desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, completamente livre, é a que não tem medo do ridículo. Eles (os patriotas) não têm. É claro que há exceção. Os que se incluem fora dessa extensa e robusta lista de fanáticos sem causa pelo menos sabem que, como em tudo na vida, na política e na defesa de quem não se conhece também é preciso moderação.

Diz um ditado popular criado nas entranhas do Congresso Nacional, das assembleias legislativas e das câmaras municipais que, assim como os poetas, os políticos são fingidores. “Fingem tão completamente que chegam a fingir que são honestos e trabalhadores”. Entre esses, os mais destacados são aqueles que só sabem até onde podem ir quando já foram. Às vezes, acabam em lugares que passaram a vida desejando para os outros. É a lei de causa e efeito. Essa é a história recente de dois presidentes brasileiros.

O que um viveu e o que o outro vive é a prova de que, na política brasileira, o fundo do poço é apenas uma etapa. Em resumo, no dia a dia nem todos os políticos conseguem ser o que podiam ter sido. Cercados pelos salamaleques de seguidores fanáticos e das facilidades em se tornar poderosos econômica e financeiramente do dia para a noite, cuja alternância com as madrugadas lhes permitem alcançar a certeza de que, ganhar dinheiro ilegalmente e à custa do suor do povo é mais necessário do que viver honestamente. É a confirmação de que, como ninguém é nada sozinho, políticos corruptos são eleitos por pessoas afins.

Na verdade, depois do cansativo período político-eleitoral que culminou na vitória da democracia, percebi que a vida não se resume à política partidária, tampouco à balbúrdia que a politicagem representa. Há coisas muito mais interessantes para se fazer. Não estou querendo dizer que abandonarei o que me dá prazer. No entanto, os prazeres devem ser diversificados, alterados e, na medida do possível, redirecionados. Respeitosamente, não tenho vocação para costureira, cabeleireira, cozinheira profissional, muito menos crítica musical.

Talvez eu me prepare para coisas menores como, por exemplo, mostrar aos leigos, ingênuos e seguidores de vendedores de ilusão que não basta se dirigir a um dos núcleos regionais do Detran para se votar em trânsito. Pode ser que pense grande e tente passar para mais brasileiros que o voto não é, como pretendem muitos, somente um direito político. Ele é muito mais do que isso, pois, além de exprimir a pessoa política, representa uma fração da soberania nacional, ou seja, é o próprio cidadão. Assim falou José de Alencar.

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Sonja Tavares é Editoria de Política de Notibras

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