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O cafuné da Globo

Flávio Bolsonaro defende miliciano e JN consente

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@donairene13 - Divulgação

Nesta sexta-feira, 28, Flávio Bolsonaro passou pela sabatina do Jornal Nacional. O contraste com a entrevista de Lula, exibida na noite anterior, foi evidente. Flávio teve mais liberdade para alongar respostas, escapar de perguntas e falar sem tantas interrupções. Os jornalistas abordaram temas que não poderiam ser ignorados, mas fizeram isso de forma muito menos incisiva. Ao tratar do 8 de janeiro, por exemplo, Flávio apresentou afirmações questionáveis sem ser imediatamente confrontado. O nervosismo também apareceu: já depois das 21h, começou uma desejando “boa tarde”. Em outro momento, defendeu o miliciano Adriano da Nóbrega e afirmou acreditar em sua inocência, apesar de ele já ter condenação por homicídio quando foi homenageado por iniciativa de Flávio.

Outro detalhe diz muito sobre a diferença entre os dois candidatos. Lula passou toda a entrevista sem mencionar Flávio Bolsonaro. Flávio, ao contrário, recorreu ao nome de Lula repetidas vezes. Lula está há décadas no centro da política brasileira e dispensa apresentações. Flávio ainda tenta construir uma identidade própria fora da sombra do pai. É pouco conhecido por grande parte do eleitorado e sua candidatura existe, em grande medida, graças apenas ao sobrenome que carrega. Para muita gente, aquela sabatina pode ter sido a primeira oportunidade de vê-lo falando por mais tempo e tentando se apresentar como presidenciável.

Lula enfrentou perguntas difíceis, armadilhas e provocações na noite anterior e conseguiu sair de boa parte delas. Flávio precisava aproveitar o espaço para conquistar quem ainda está em dúvida, mas acabou falando quase exclusivamente para quem já votaria nele. Os indecisos queriam respostas claras, argumentos consistentes e demonstração de preparo. Foi justamente nisso que ele falhou. Em vários momentos, simplesmente não conseguiu responder de forma convincente. E houve ainda uma ironia involuntária: ao garantir que respeitaria o resultado das urnas, acabou usando uma formulação que soou mais como a fala de quem já se imagina derrotado.

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