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Apoio a Celina e Ibaneis

Flávio Bolsonaro pode redesenhar o tabuleiro eleitoral para outubro

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Autor/Imagem:
Marta Nobre - Foto de Arquivo

A política do Distrito Federal talvez esteja prestes a assistir a uma daquelas jogadas capazes de alterar completamente o desenho de uma eleição. Nos corredores do poder, entre reuniões discretas, telefonemas reservados e cálculos eleitorais cada vez mais sofisticados, cresce a expectativa de uma manifestação pública do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em favor da reeleição da governadora Celina Leão (PP).

Por enquanto, nada passa do terreno das especulações. Mas, em Brasília, especulações costumam ser o primeiro capítulo de acordos que mais tarde se transformam em realidade política. A eventual entrada de Flávio no processo eleitoral local teria peso muito além de uma simples declaração de apoio. O movimento seria interpretado como uma tentativa de reorganizar o campo conservador e bolsonarista no Distrito Federal, evitando divisões que possam comprometer os projetos eleitorais de 2026.

Nesse contexto, ganha força uma tese que circula nos bastidores: a construção de uma ampla aliança envolvendo PL, PP e MDB. O objetivo seria reunir forças em torno de Celina Leão, uma candida competitiva a se manter à frente do Governo do Distrito Federal, ao mesmo tempo em que se buscaria acomodar interesses para a disputa das duas vagas ao Senado.

É justamente nesse ponto que surgem as especulações mais interessantes. Assegurado o nome da ex-primera-dama Michele Bolsonaro (PL) para concorrer ao Senado, admite-se que a negociação poderia passar pela revisão da candidatura da deputada federal Bia Kicis (PL). Em vez da corrida pela Câmara Alta, ela seria incentivada a buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados, onde mantém uma base eleitoral consolidada e forte identificação com o eleitorado bolsonarista.

A mudança abriria espaço para uma composição mais ampla envolvendo o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), que permanece como uma das figuras de maior densidade eleitoral do Distrito Federal e é apontado como um dos nomes mais competitivos para a disputa senatorial. Ibaneis seria apresentado, assim, como o ‘segundo voto’ bolsonarista para a segunda cadeira entre os 81 senadores.

Caso esse desenho avance, o resultado seria uma rara convergência entre grupos que, até pouco tempo atrás, pareciam caminhar por trilhas paralelas. A aproximação teria como principal objetivo evitar a pulverização de votos no campo de centro-direita e fortalecer um projeto político alinhado à eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Os defensores dessa engenharia eleitoral argumentam que a soma dos ativos políticos de Celina Leão, Ibaneis Rocha e do eleitorado bolsonarista poderia criar uma frente difícil de ser enfrentada pelos adversários. Já os críticos observam que qualquer rearranjo dessa magnitude exigiria concessões importantes e poderia gerar insatisfações dentro das próprias legendas envolvidas.

O MDB, por exemplo, continua convivendo com correntes internas que defendem caminhos distintos para a sucessão local. No PL, por sua vez, lideranças influentes ainda avaliam qual será o melhor formato para preservar o protagonismo conquistado pela legenda nos últimos anos no Distrito Federal.

O fato é que o relógio eleitoral avança rapidamente. E, à medida que 2026 se aproxima, torna-se cada vez mais evidente que nenhuma candidatura relevante poderá ignorar a necessidade de construir alianças robustas.

Se Flávio Bolsonaro decidir entrar de forma mais direta no jogo brasiliense, sua participação poderá servir como catalisador de uma reorganização política capaz de modificar estratégias, candidaturas e expectativas.

Cabe registrar, porém, que até lá, o que existe são movimentos discretos, conversas reservadas e sinais emitidos por diferentes atores. Mas, como ensina a velha máxima da política, quando a fumaça aparece em vários lugares ao mesmo tempo, normalmente há fogo em algum lugar do tabuleiro.

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Marta Nobre é Editora-Executiva de Notibras

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