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Procura-se um vice

Flávio busca um nome nordestino contra o favoritismo de Lula

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Autor/Imagem:
Marta Nobre - Foto de Arquivo

Se as eleições presidenciais de 2026 fossem realizadas hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia, sem exagero, mandar confeccionar com antecedência o terno da posse para um eventual quarto mandato. É o que indica a mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 14, que desenha um cenário amplamente favorável ao petista, sobretudo no Nordeste — região que, mais uma vez, se consolida como pilar decisivo de sua força eleitoral.

De acordo com o levantamento, Lula lidera com folga no Nordeste, onde aparece com 60% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro, apontado como principal herdeiro eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, registra apenas 13%. Mesmo a soma dos demais nomes ventilados no campo da direita — Tarcísio de Freitas (5%), Ratinho Jr. (3%), Romeu Zema (1%) e Ronaldo Caiado (1%) — alcança somente 23%. Em termos eleitorais, trata-se de um desempenho que não permite sequer “dar a largada” numa disputa regional historicamente decisiva.

Esse quadro explica a corrida silenciosa, mas intensa, dos bolsonaristas por um nome forte para compor a chapa como vice de Flávio Bolsonaro, numa tentativa de romper a hegemonia lulista no Nordeste ou, ao menos, reduzir danos. Entre os nomes mais citados estão ACM Neto (União Brasil), ex-prefeito de Salvador; a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (Solidariedade); e o senador piauiense Ciro Nogueira (PP), figura experiente no xadrez político nacional e com trânsito no Centrão.

O que anima o campo bolsonarista são os indicadores de avaliação do governo federal. A reprovação do governo Lula se aproxima da marca simbólica de 50%, um dado que mantém viva a aposta de que o desgaste administrativo possa, ao longo do tempo, corroer a vantagem eleitoral do presidente. Hoje, 39% dos entrevistados classificam a gestão como negativa, enquanto 32% a avaliam como positiva. Outros 27% consideram o governo regular.

A comparação com os mandatos anteriores de Lula também revela sinais de alerta para o Planalto. Para 43% dos entrevistados, o atual governo é pior do que os anteriores. Apenas 21% afirmam que é melhor. Outros 21% avaliam como igual “porque já esperavam que fosse bom”, enquanto 11% dizem ser igual “porque já esperavam que fosse ruim”. Os números indicam que o capital simbólico do lulismo segue relevante, mas já não é imune a frustrações e cobranças.

Regionalmente, a direita encontra terreno mais favorável no Sul, onde mantém vantagem, enquanto Sudeste e Centro-Oeste aparecem em empate técnico — regiões estratégicas para qualquer projeto eleitoral competitivo. Ainda assim, a matemática eleitoral segue implacável: sem reduzir de forma significativa a desvantagem no Nordeste, qualquer candidatura de oposição parte em nítida desvantagem.

O cenário traçado pela Genial/Quaest aponta para uma eleição menos definida do que os números nacionais sugerem à primeira vista, mas com um dado incontornável: Lula continua largando na frente, com o peso do voto dos nordestinos, e a oposição aposta no desgaste do governo e na reorganização de alianças. Já o presidente se ancora na força regional e no legado político. Até outubro, porém, muita água ainda passará por baixo da ponte. Por ora, contudo, o favoritismo tem endereço conhecido.

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Marta Nobre é Editora Executiva de Notibras

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