Contradições
Flávio faz cara de sonso com 3 mi na conta do pai
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Neste domingo, 22, na Paraíba, Flávio Bolsonaro afirmou que a direita “não tem nada a ver” com o caso do Banco Master. A declaração, no entanto, soa como uma tentativa de dissociar politicamente figuras que mantêm vínculos e relações que merecem ser explicadas à sociedade. Em um momento em que o país acompanha tudo com atenção, está bastante claro que a declaração é apenas uma estratégia de narrativa e não um compromisso com a transparência.
Flávio “esqueceu” de mencionar que seu pai teria recebido 3 milhões de Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo. Além disso, nomes como Tarcísio de Freitas, Cláudio Castro, Ciro Nogueira e Campos Neto, todos identificados com a direita, aparecem, direta ou indiretamente, no entorno político e institucional que circunda o caso. Tantos nomes assim são mais do que suficientes para afastar a ideia de que não há qualquer relação entre o episódio e figuras da direita.
O que mais chama atenção, contudo, é o silêncio. É espantoso que uma declaração tão categórica e questionável não tenha sido devidamente confrontada por jornalistas no momento em que foi feita. Em uma democracia, cabe à imprensa questionar, tensionar e exigir esclarecimentos, sobretudo quando há indícios e informações públicas que contradizem versões apresentadas por agentes políticos. Quando isso não acontece, abre-se espaço para que narrativas frágeis ganhem força.