Curta nossa página


Gaspar, o alagoano

Flávio invade reduto de Lula com vice do povão

Publicado

Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto Divulgação

A oficialização do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro encerra semanas de negociações e marca uma decisão de forte simbolismo político: o Partido Liberal disputará a Presidência da República com uma chapa exclusivamente formada por filiados da legenda. A escolha ocorre após fracassarem as tentativas de atrair partidos de centro e centro-direita para uma composição eleitoral.

Nos bastidores, interlocutores do PL admitem que o desenho inicialmente desejado era diferente. A preferência recaía sobre um nome capaz de ampliar a interlocução com segmentos estratégicos, como o agronegócio, o eleitorado feminino ou partidos do chamado Centrão. A neutralidade adotada por legendas como PP, Republicanos e União Brasil acabou reduzindo o espaço de negociação e levou Flávio Bolsonaro a recorrer aos próprios quadros partidários.

Alfredo Gaspar chega à chapa com um currículo fortemente associado ao combate à criminalidade. Ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, construiu sua imagem política em torno do enfrentamento ao crime organizado e da defesa de políticas de endurecimento penal.

A avaliação é que essa trajetória reforça um dos temas centrais da campanha bolsonarista: a segurança pública. O PL aposta que Gaspar agregará credibilidade técnica a uma área tradicionalmente valorizada pelo eleitorado conservador. Embora a chapa não represente ampliação significativa do arco partidário, dirigentes liberais acreditam que ela pode aumentar a mobilização da militância.

A lógica é simples: diante da ausência de uma grande aliança nacional, o partido prefere apresentar uma candidatura ideologicamente coesa, apostando na fidelização do eleitor bolsonarista em vez de diluir o discurso para conquistar apoios institucionais.

Essa estratégia também facilita a comunicação da campanha, reduzindo divergências internas e permitindo que presidente e vice defendam praticamente a mesma agenda política.

Outro componente observado por analistas é o fator regional. Natural de Alagoas, Alfredo Gaspar oferece ao PL uma presença mais robusta no Nordeste, região onde o partido historicamente enfrenta maior resistência eleitoral. Ainda que sua influência esteja concentrada em seu estado, a direção liberal avalia que sua presença ajuda a transmitir uma imagem de maior capilaridade nacional.

Mas, se, por um lado, a escolha fortalece a identidade do PL, por outro evidencia uma dificuldade política importante. Sem o apoio formal de partidos médios e grandes do campo conservador, Flávio Bolsonaro terá de construir sua campanha com menor tempo de televisão, estrutura mais limitada e menos palanques compartilhados em diversos estados. A aposta passa a depender mais diretamente da força da marca Bolsonaro, da mobilização das redes sociais e da capacidade de transformar a eleição em uma disputa de forte polarização nacional.

Nos bastidores de Brasília, a leitura predominante é que a chapa formada por Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar representa menos uma ampliação da coalizão eleitoral e mais uma demonstração de fidelidade ao núcleo histórico do bolsonarismo. Se isso será suficiente para compensar a ausência de novos aliados é uma das principais incógnitas da corrida presidencial que se intensifica após o encerramento das convenções partidárias.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.