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Brasil feminino

Fogo e paixão, mulher tem luz própria e brilho eterno

Publicado

Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Editoria de Imagens/IA

Dirão os poetas que o coração de uma mulher, como muitos instrumentos, depende de quem o toca. Como estagiário da poesia, digo que uma mulher decidida é exatamente igual às ondas do mar: ninguém consegue deter. Ela é a essência da força e da delicadeza. É a raiz, a alma e a precisão do fundamento das lutas, dos sonhos e da coragem diária de seguir em frente. Como disse Simone de Beauvoir, que nada as defina, que nada as sujeite. Que a liberdade seja sempre sua própria substância. Saibam e gritem bem alto que a força feminina é o que move o mundo.

Um oceano de possibilidades. Às vezes, é fogo e paixão. Outras vezes, apenas um mar calmo como a serenidade da solidão desejada. Obra divina, símbolo de força e de resiliência. São feitas de luz própria. Por isso, não precisam de mais nada para brilhar. Assim são as mulheres. Elas costumam ser uma incógnita. Há dias em que viram um monumento à dúvida. Num dia, ela é linda. No outro, mais ainda. Pouco importa o que são e como as vemos. Importante é que, sem exceção, mulher é sinônimo de amor, perseverança, desprendimento e, sobretudo, respeito.

No dia consagrado a elas, durante os 365 dias do ano e ao longo de sua existência, as mulheres têm de ser vistas como seres especiais, aqueles que geram a vida e, com força, delicadeza e sabedoria, ajudam a transformar nossos dias em algo encantador. Preciso de muito pouco para reverenciá-las. Nascido de uma e abençoado por várias, o que de mais honesto posso dizer das mulheres? Sem pensar duas vezes e tentando incorporar o espírito do poeta mais criativo, direi que elas são uma criação de Deus para abençoar milhões de vidas. É muito pouco para o desrespeito que elas enfrentam atualmente.

Criação de Deus com sentimentos e geradas para tornar o mundo um lugar melhor. É assim que nós, os homens, deveríamos vê-las todos os dias, inclusive no Dia Internacional da Mulher. Então, por que não as tratamos sempre como rainhas? Poeticamente há muitas formas marcantes de se falar de e para uma mulher. Usemos todas, sem esquecer que o maior valor de uma mulher não está em suas curvas, muito menos em sua beleza física. Mulher perfeita é aquela que sorri como uma menina, seduz como uma mulher e se dá ao respeito como uma dama.

Eis a razão para que, como primeiro passo, passemos a perceber que a curva mais bonita que a mulher tem no corpo é verdadeiramente o sorriso. Embora reitere que não aprecie a expressão Dia Internacional da Mulher, aproveito a ocasião para afirmar que, muito mais do que coroar nossas rainhas, a data serve para que criemos coragem de dizer que somente a presença feminina já é suficiente para transformar o comum em algo extraordinário. Não gosto da locução porque acho que os 365 dias do ano são destinados a elas.

Seres dos quais nascemos e aos quais devemos nosso destino, elas, sem exceção, foram desenhadas com pincéis aveludados, com cores firmes e, acompanhadas pelos olhares do sol e da lua, transformadas com o tempo em poesias escritas com coragem, força e amor. Como referência e prova de resistência todos os dias, para elas não bastam homenagens simbólicas. Por isso, mais do que flores e bombons, 8 de março é sinônimo de luta e de transmutação. Vocacionadas para converter desafios em caminhos, elas mostram a força de que dispõem quando decidem não desistir.

Faz tempo que, aparentemente, as mulheres deixaram de ser avaliadas somente como entes capazes de fazer história. Digo aparentemente porque, voluntária ou involuntariamente, algumas ainda convivem com instintos animalescos. Para a maioria que consegue respeitá-las, não há dúvida de que elas constroem o futuro. Portanto, não é favor algum reconhecer que o mundo mudou depois que as mulheres decidiram ocupar seus espaços. Que bom, pois só assim atestamos, de fato e de direito, que elas são exemplos vivos e lindos de valentia, de bravura e de desassombro.

Rodeado de mulheres por todos os lados, sei que elas inspiram, lideram e disfarçam, mas amam, participam e choram como qualquer ser humano. Novamente me valendo da veia de estagiário de poeta, afirmo que mulher alguma precisa ser melhor do que ninguém. No entanto, é interessante jamais esquecer de ser uma mulher muito melhor do que foi ontem. Mulheres lindas, poderosas e seguras de que, mais preocupante do que ficar sozinha é estar mal acompanhada, durmam e acordem com a certeza de que, em uma sociedade que insiste em cobrá-las padrões inatingíveis, se amar incondicionalmente é um ato revolucionário. Parabéns, mulheres do meu Brasil feminino.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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