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Tão doce

Fração de Segundo

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

E me caiu tão doce,
aquela gota suspensa no rio do tempo,
razão secreta do infinito,
fina linha do horizonte
onde avistei meu arco-íris particular.

Aquarela viva de um amor distante,
moldura dourada dos sonhos mais antigos,
vitral colorido do universo inteiro
refletindo um rosto sereno de paz.

Ali, dispersei meu último olhar,
e em um instante de claridade absoluta
compreendi que tudo absolutamente tudo,
poderia se tornar poesia.

Agradeci emocionado aos céus generosos,
à inspiração que desceu como orvalho divino,
e num derradeiro pranto de chuva suave
parti em serena entrega.

Fui morar além da mais alta nuvem,
no ponto exato onde estrelas se encontram com planetas,
no limiar sagrado onde minha alma
finalmente entendeu todas as dores do corpo
e as dissipou, uma a uma,
numa tranquilidade que nunca me pertencera.

Desfiz-me então em milhares de borboletas de adeus,
asas coloridas que dançam no vento noturno,
e meu coração, enfim livre,
se poetizou em eternidade ,
noturno, soturno,
mas profundamente em paz.

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