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Primavera antecipada

Frio de junho provoca degelo na política local

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José Seabra - Foto de Arquivo

Brasília amanheceu neste domingo, 31, às portas do inverno. A partir desta segunda-feira, 1º de junho, os termômetros prometem lembrar aos moradores do Planalto Central que a estação mais fria do ano chegou. As previsões meteorológicas apontam noites com temperaturas entre 9 e 11 graus, cenário suficiente para tirar casacos dos armários e aquecer as conversas em torno de um café fumegante.

Mas, se o frio avança sobre a natureza, o mesmo não parece ocorrer na política local. Os sinais emitidos neste fim de semana sugerem que as temperaturas entre duas das maiores lideranças do Distrito Federal podem estar subindo novamente. Depois de semanas marcadas por especulações sobre um suposto afastamento entre a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), uma mensagem pública chamou a atenção dos observadores mais atentos dos bastidores do poder.

Ao comentar a internação da governadora para tratamento de um pneumotórax, Ibaneis desejou pronta recuperação à sucessora e foi além da formalidade protocolar. “Brasília precisa de você; recupere-se”, escreveu. Pode até parecer apenas uma frase de cortesia, mas na política, palavras carregam pesos específicos, e algumas delas dizem muito mais pelo que sugerem do que pelo que afirmam.

A manifestação ocorre justamente em um momento em que analistas políticos vinham apontando fissuras na relação entre os dois grupos. Nas últimas semanas, declarações, movimentações partidárias e especulações eleitorais alimentaram a narrativa de que antigos aliados estariam caminhando para campos opostos na disputa de 2026. O gesto de Ibaneis, entretanto, parece apontar para outra direção.

Ao reconhecer publicamente a importância da governadora para o Distrito Federal, o ex-chefe do Executivo envia uma mensagem que ultrapassa a esfera pessoal. Trata-se de um aceno político, daqueles movimentos que não resolvem divergências automaticamente, mas ajudam a reconstruir pontes que muitos já davam como destruídas. Para sustentar esse entendimento, vale lembrar que política raramente é feita apenas de confrontos; ela também vive de composições, gestos simbólicos e reencontros.

Celina e Ibaneis compartilham uma história administrativa e eleitoral construída ao longo de anos. Foram eleitos na mesma chapa, governaram juntos e conduziram projetos que moldaram boa parte da paisagem política do Distrito Federal nos últimos anos. Divergências podem até mesmo existir — e provavelmente existem —, mas há uma diferença considerável entre divergência e ruptura. Por isso, o episódio deste domingo ganha relevância.

Em meio ao inverno que se aproxima, a mensagem do ex-governador soa como um convite ao degelo. Pode mesmo não eliminar disputas futuras nem encerrar debates sobre sucessão, alianças ou candidaturas, mas sinaliza que a convivência institucional e o respeito político permanecem de pé.

Talvez seja cedo para falar em reconciliação definitiva. Contudo, não parece exagero afirmar que os ventos da pacificação voltaram a soprar sobre a Praça do Buriti. E, se a meteorologia anuncia noites frias para Brasília, a política local parece determinada a antecipar a primavera. Nos bastidores, atribuem ao secretário Welinton Moraes o papel de meteorologista responsável por baixar a temperatura política e aquecer a reaproximação.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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