Candangão 2026
Gama vence Sobradinho nos pênaltis em final histórica e conquista o 15º título
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A sala de troféus do Sociedade Esportiva Gama precisará de mais espaço após a tarde deste sábado (21). Em uma decisão eletrizante no Estádio Mané Garrincha, o alviverde sagrou-se bicampeão do Distrito Federal ao derrotar o Sobradinho nas penalidades por 5 x 4, após um empate sem gols no tempo regulamentar. Com o feito, o Periquito alcança sua 15ª taça, reafirmando a hegemonia como o maior detentor de títulos da história do futebol candango.
O espetáculo nas arquibancadas foi um capítulo à parte na 51ª edição do torneio. A grande final estabeleceu um novo recorde de público para o futebol local, com 43.335 torcedores presentes. A marca superou os 37.845 espectadores da final de 2025, entre Gama e Capital, consolidando a crescente paixão do brasiliense pelo campeonato regional e transformando a Arena BRB em um verdadeiro caldeirão de emoções.
Dentro de campo, o roteiro de superação teve um protagonista já conhecido da torcida: o goleiro Renan Rinaldi. Pelo segundo ano consecutivo, o arqueiro brilhou na marca da cal, defendendo as cobranças de Pipico e Andrezinho. Rinaldi repetiu a dose de heroísmo do ano passado, quando pegou três pênaltis, e garantiu que o título permanecesse com o alviverde em uma tarde onde a bola insistiu em não entrar durante os 90 minutos.
Apesar do vice-campeonato, o Sobradinho saiu de campo de cabeça erguida, coroando um processo de reconstrução iniciado após anos difíceis na segunda divisão. O Leão da Serra, que voltou à elite em 2024, superou as expectativas ao desbancar favoritos como o Samambaia para chegar à final após seis anos de ausência. A campanha resgatou o orgulho da torcida da região nordeste, mostrando a força de um dos clubes mais tradicionais do DF.
O primeiro tempo foi marcado por um duelo estratégico e muito equilíbrio. O Gama, empurrado por sua massa, detinha a posse de bola e levava perigo constante pelas alas. Aos 30 minutos, Rodriguinho quase abriu o placar em um chute rasteiro que raspou a trave, assustando o goleiro Michael. O Sobradinho, bem postado defensivamente com destaque para Andrezinho, conseguia neutralizar as investidas, mantendo o placar zerado até o intervalo.
A volta para a segunda etapa trouxe ainda mais tensão e polêmicas. Logo aos 10 minutos, o árbitro Sávio Sampaio consultou o VAR após um possível toque de mão da defesa alvinegra dentro da área, mas a penalidade não foi marcada sob protestos gamenses. O Periquito seguiu pressionando e empilhou chances perdidas, enquanto o Sobradinho sofria um revés com a lesão do goleiro Michael, que precisou ser substituído pelo reserva Brandão.
O destino parecia testar os nervos dos torcedores do Gama na reta final da partida. Aos 32 minutos, Henrique Almeida chegou a balançar as redes, mas o grito de gol foi sufocado pela bandeira de impedimento. Pouco depois, Toninho Paraíba também marcou em posição irregular, resultando no segundo gol anulado do alviverde no jogo. Nem mesmo os dez minutos de acréscimos foram suficientes para tirar o zero do marcador.
Nas cobranças decisivas, a estrela de Renan Rinaldi brilhou intensamente. O goleiro alviverde mostrou frieza para parar os batedores do Leão da Serra, enquanto seus companheiros converteram as batidas necessárias para selar a vitória. Do lado do Sobradinho, Brandão chegou a defender o chute de Darlan, mas não foi o suficiente para evitar a festa alviverde que tomou conta das arquibancadas do Mané Garrincha.
A ficha técnica da partida registrou um duelo de muita entrega física e cartões amarelos para ambos os lados, refletindo a intensidade de uma final de campeonato. O técnico Luís Carlos Souza, do Gama, conseguiu manter a organização da equipe mesmo diante da frustração dos gols anulados, enquanto Vinícius La Porta, do Sobradinho, provou que o time está pronto para figurar novamente entre os grandes do Distrito Federal nas próximas temporadas.
Com o apito final e a entrega das medalhas, o Gama inicia as comemorações de um bicampeonato histórico que une tradição, recorde de público e o surgimento de novos ídolos. A conquista reforça a mística do clube no Mané Garrincha e deixa a torcida esperançosa para os desafios nacionais que virão.