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Amarelinha arregou

Ganância e corrupção criam caos no futebol

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

A duas rodadas do fim, a 23ª Copa do Mundo trouxe à tona um abecedário de questões capazes de justificar o terrível fracasso da Seleção Brasileira nos gramados dos Estados Unidos. Considerada a pior participação da história do Brasil em Copas nos últimos 60 anos, a campanha de 2026 ficou marcada pela menor posse de bola já registrada pela equipe e por um ciclo de atuações apáticas, quase medonhas. São várias as causas da queda de rendimento dos “canarinhos”.

De acordo com alguns especialistas, as principais razões são a ganância e a corrupção que assolam a CBF, as federações e os clubes de futebol. Aliado a esses cânceres brasileiros, estão a perda de identidade do nosso futebol e a falta de identificação com o torcedor, ambas geradas pela cada vez mais precoce europeização dos talentos brasileiros. Pode ser, mas trata-se de uma alegação sem fundamento lógico, considerando que o êxodo acontece com a maioria das seleções. E por que só o Brasil perdeu a essência, o gás, a vontade?

Boa parte dos argentinos, ingleses, franceses, alemães, holandeses, croatas, espanhóis e portugueses, entre outros, joga fora de seus países de origem. Como estão longe de casa, normalmente eles se encontram para disputar torneios internacionais às vésperas do início da competição. No entanto, correm atrás da bola como se estivessem buscando um novo prato de comida. É claro que renovar é prioridade absoluta. Entretanto, a renovação no futebol tem de ser de baixo para cima e, principalmente, de cima para baixo. A mentalidade tacanha, medíocre e exclusivamente mercantilista dos dirigentes da CBF e dos clubes acabou com as chamadas pratas da casa.

Tenho a impressão de que, conforme os chutes no ventre materno, os meninos começam a ser monitorados pelos tubarões fantasiados de empresários desde a placenta. Hoje, poucos são os jogadores com vínculo efetivo com agremiações. Beijam hoje a camisa de um clube, juram amor eterno e, na seguinte, beijam outra, outra e mais outra. O fato é que nosso futebol brasileiro não tem mais história. Foi-se o tempo em que o mundo, incluindo argentinos, ingleses, franceses e espanhóis, parava para ver de perto o talento do jogador brasileiro. E hoje?

Hoje, mesmo empurrados por 213 milhões de fanáticos torcedores, não figuramos sequer entre os oito melhores do planeta. Temo pelo dia em que ficaremos fora de uma Copa do Mundo. Será o fim? Talvez seja o início da reformulação que tanto precisamos. Ainda não somos os piores. Entretanto, para quem já foi o melhor, é difícil se contentar em ser igual a tantos outros e, o que é pior, ficar bem abaixo das principais potências futebolísticas.

Gênio em uma seleção de craques, Tostão credita o caos do futebol brasileiro à desorganização, à involução e, obviamente, à evolução dos demais países. A exemplo do mestre da camisa 9 na Copa de 1970, meu medo maior é o espelho se quebrar de vez. Exatamente como Tostão, receio que, no futuro que está logo ali, nosso povo comece a viver de histórias, algo como o Brasil já foi o país do futebol, com um rei, numerosos e habilidosos craques, vitórias memoráveis e cinco títulos mundiais. Ficamos nisso ou vamos reagir? Dizem os pensadores que aqueles que não reagem, rastejam.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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