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Prodígio de Brasília

Garoto de 10 anos descobre ciclo matemático inédito e vai à Bienal

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforad - Divulgação

O universo dos números acaba de ganhar uma nova e surpreendente página escrita por um morador da Asa Norte, em Brasília. Com apenas 10 anos de idade, o estudante Marcel Augusto Calassa alcançou um feito impressionante ao descobrir um “ciclo matemático” inédito envolvendo as propriedades dos números 13 e 16 elevados ao quadrado. A conquista intelectual garantiu ao jovem prodígio o direito de representar a capital federal na 12ª Bienal de Matemática, que acontecerá no próximo mês em Natal, no Rio Grande do Norte.

A paixão de Marcel pelo raciocínio lógico e pelos algarismos não é de hoje e se manifestou desde a sua primeira infância. Segundo relatos de sua mãe, Glacy Calassa, o menino aprendeu a falar e a ler muito cedo, sempre demonstrando uma facilidade fora do comum para identificar padrões. Aos 4 anos de idade, essa habilidade ficou evidente quando ele começou a praticar xadrez, passando a competir em alto rendimento e chegando a se consagrar campeão brasileiro do esporte no tabuleiro.

A grande descoberta matemática aconteceu de forma despretensiosa, durante uma aula de cursinho preparatório realizada no Colégio Militar. Na ocasião, o professor solicitou aos alunos uma tarefa simples: calcular os quadrados dos números de 1 a 20. Foi testando as possibilidades que o garoto percebeu uma regularidade intrigante que fugia do escopo da atividade escolar tradicional e que despertou sua profunda curiosidade.

O funcionamento do ciclo descoberto por Marcel baseia-se em uma propriedade fascinante de soma de algarismos. Ao elevar o número 13 ao quadrado, obtém-se o resultado 169 e, ao somar estes dígitos (1 + 6 + 9), chega-se ao número 16. O processo se repete de forma inversa na sequência: elevando 16 ao quadrado, o resultado é 256, cuja soma dos componentes (2 + 5 + 6) retorna exatamente ao número 13, criando um padrão que se alterna indefinidamente.

Além de isolar essa relação, o estudante foi mais longe e expandiu a tese para qualquer algarismo existente. Ele descobriu que, ao elevar qualquer número ao quadrado, somar seus dígitos e refazer o processo sucessivamente, o resultado inevitavelmente convergirá para o ciclo entre 13 e 16 ou terminará em dois pontos fixos específicos, que são os números 1 ou 9. A descoberta impressiona porque, em meio a milhões de possibilidades numéricas, não há uma regra evidente que preveja esse comportamento.

Inicialmente, a revelação causou espanto e até uma dose de ceticismo saudável dentro de casa. O pai do garoto, Márcio Alcântara, confessou que duvidou do achado em um primeiro momento, mas mudou de opinião ao testar os números e ver o padrão se repetir perfeitamente. Ele relatou que seu coração bateu mais forte ao perceber que o filho, que tinha apenas nove anos quando iniciou os testes, havia encontrado algo totalmente novo.

Para validar cientificamente o achado, a família realizou uma pesquisa prévia e levou os dados aos especialistas do Departamento de Matemática da Universidade de Brasília (UnB). Os professores da instituição analisaram a lógica apresentada pelo menino e confirmaram de forma oficial que a descoberta era inédita. Impressionados com o potencial do material, os docentes sugeriram que o trabalho fosse submetido para a Bienal e para a revista de matemática do professor.

Movido pelo questionamento “o que seria do mundo sem a gente se desafiar?”, Marcel agora se prepara para expor sua tese em solo potiguar para pesquisadores de todo o país. O reconhecimento chancela a inteligência extraordinária do jovem brasiliense e abre portas para o seu futuro acadêmico na ciência exata.

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