Coisas da vida
Gente que foi, saudade que fica
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A gente vai se despedindo de 2025 com aquele silêncio que só o fim de um ano sabe produzir. Um silêncio que não é vazio, mas é cheio de nomes, de vozes, de memórias. Neste ano, nos despedimos de muita gente especial. Gente que fez morada na nossa vida de um jeito definitivo e que agora segue existindo apenas naquilo que deixou.
Hermeto Pascoal, Preta Gil, Lô Borges, Angela Ro Ro, Arlindo Cruz, Jards Macalé foram cantar no céu. E nós ficamos aqui, com a saudade. Pessoas insubstituíveis, perdas irreparáveis. Cada um deles levou consigo um timbre, um gesto, uma forma única de estar no mundo. Não há como substituir quem inventou caminhos, quem nos ensinou a sentir, quem traduziu em música aquilo que muitas vezes nem sabíamos nomear.
Mas não foi só na música que 2025 nos doeu. Também demos adeus a Berta Loran, Jaguar, Mino Carta, Luis Fernando Verissimo, Sebastião Salgado. Cada partida abriu um espaço que não pode ser preenchido.
Talvez a vida seja feita também por ausências. Talvez aprender a viver seja também aprender a conviver com elas. E nem é só porque são pessoas conhecidas, famosas, admiradas por muitos. A vida vai levando gente embora em todos os cantos, inclusive nos lugares mais íntimos.
Nas famílias, entre os amigos, a despedida também acontece. Aquela tia incrível, cheia de histórias, carinho e afeto, mas cujo vínculo mais próximo acabou ficando lá na infância. Aquele primo engraçado, dono de um riso fácil, com quem a gente quase não falava mais, mas cuja ausência chega mesmo assim, sem pedir licença. Cada perda tem uma saudade diferente. Algumas doem como um corte recente; outras chegam como um aperto manso e um nó na garganta.
Encerrar 2025 é reconhecer isso tudo. Que seguimos, apesar das faltas. Que caminhamos carregando nomes, gestos, canções e afetos. Que nada substitui quem foi, mas muita coisa permanece. E talvez seja assim que a vida continue: entre presenças que se vão e ausências que passam a morar em nós.