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Da Bahia para o mundo

Gil, aquele abraço!!!

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Autor/Imagem:
Eduardo Cesario-Martínez - Foto Divulgação

Ao lado do meu grande amigo Johnny, assisti a um show do Gilberto Gil nas areias de Copacabana, talvez em 1991 ou 1992, não sei ao certo. Esse baiano, que gosta de inventar palavras, como um menino inquieto, que precisa dar novos significados não apenas às coisas, mas à vida das pessoas, pirilampo como ele só, iluminou meus olhos naquele dia.

Confesso que alguns anos antes me irritei com o Gil. O motivo? Bem, não gostei de vê-lo fazer reverência ao Stevie Wonder, que considero um grande artista. Todavia, deixando de lado qualquer nacionalismo bobinho, não há de se negar que o Gil é muito maior que o prodígio estadunidense. Então, aquele gesto me pareceu, naquela época, submissão. Tolo fui eu, que não percebi que esse baiano fantástico é um poço de generosidade, talvez ainda maior que a sua própria genialidade.

Submisso é algo que o Gilberto Gil não é. Ele é ciente do seu talento! Não há nem sombra disso!!! Mas não espere desse canceriano algo Caetano Veloso de ser. Não mesmo!!! Talvez seja por isso que eles são tão amigos, pois, enquanto um é plácido, o outro é explosão. Você pode até se encantar com o colorido dos fogos de artifício, mas, talvez, sentirá mais prazer ao se deitar na areia da praia. Ou, seguindo nesse clima de metáforas, enquanto as ondas se quebram jogando espuma para todos os lados, o fundo do oceano possui belezas e encantos muito mais interessantes.

Bem, voltando àquele dia em Copacabana, meu rosto possivelmente revelou todo o meu encantamento por esse fenomenal artista. Então, quando já estávamos indo embora, eis que o Johnny, que nem o Gil, é baiano, se virou para mim e soltou essa: “Pois é, Edu, é como sempre te falo! Existem os estados do Sul, os do Sudeste, os do Centro-Oeste, os do Norte, os do Nordeste e também existe a Bahia”.

Levei alguns anos para digerir aquela afirmação, até que percebi que o meu amigo estava mais do que certo. Aliás, até digo mais! “Existem várias estrelas que iluminam o Céu, mas o Gil abrilhanta muito mais!”

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Eduardo Cesario-Martínez é autor do livro ’57 Contos e Crônicas por um Autor Muito Velho’ (Vencedor do Prêmio Literário Clarice Lispector – 2025 na categoria livro de contos).

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