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Vozes da Literatura

Gisele P. Silva Rumin e a escrita que questiona o mundo

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Arquivo Pessoal

A nova entrevista da coluna Vozes da Literatura apresenta a trajetória e as reflexões da escritora Gisele P. Silva Rumin, cuja indicação partiu de uma entusiasmada sugestão de bastidores do autor J. Emiliano Cruz. Em conversa com Eduardo Cesario-Martínez — escritor e coeditor do coletivo Café Literário ao lado de Daniel Marchi —, Cruz não poupou elogios ao mapear o radar cultural da autora: “A Gisele é uma autora que sigo no Instagram, ela é muito lúdica, profícua e talentosa. Daria uma ótima entrevista”. O faro literário provou-se certeiro, servindo de ponte para que os editores trouxessem a público o instigante universo intelectual de uma criadora que transita com naturalidade entre diferentes linguagens e saberes.

Nesta sabatina exclusiva, Gisele reconecta suas origens simples na lavoura do interior paulista com a formação multidisciplinar que hoje amarra o Direito, a História, a Filosofia e as Letras. Autodefinida como uma intelectual de “mente inquieta e língua afiada”, a criadora de ficções marcantes como Hu-Qi e A Mandinga da Sereia destrincha como utiliza a ficção para investigar os dilemas mais profundos da natureza humana. Ao longo do diálogo, ela defende a literatura como uma ferramenta engajada com o pensamento crítico, abrindo as portas de seu processo criativo e discutindo os bastidores de suas produções no ecossistema digital.

Para iniciar, fale um pouco sobre você, sua história de vida até chegar aos dias de hoje.

Nasci em Catanduva, no interior de São Paulo, mas cresci em Pirangi, uma pequena cidade vizinha, onde vivi até os 17 anos. Venho de uma família simples, que sempre tirou, e ainda tira, o sustento do trabalho nas lavouras. Cresci vendo meus pais enfrentarem o trabalho pesado do campo, e foi com eles que aprendi o valor da disciplina, da honestidade e da perseverança.

Curiosamente, foram esses mesmos pais, cuja rotina sempre esteve muito mais próxima da terra do que dos livros, que despertaram em mim o gosto pela literatura. Quando eu tinha sete anos, levaram-me à pequena biblioteca municipal para fazer minha primeira carteirinha de empréstimo. Talvez aquele tenha parecido apenas um passeio comum para eles, mas hoje percebo que foi um dos gestos mais importantes da minha vida. Eles me ensinaram que o conhecimento não depende da profissão, da renda ou da origem de uma pessoa. Depende, sobretudo, da curiosidade e da disposição para aprender.

Desde então, nunca mais me afastei dos livros!

A escrita veio alguns anos depois. Eu tinha entre 14 e 15 anos quando minha professora de Literatura, dona Rosa, propôs um exercício aparentemente simples: escrever um poema. Estudávamos o Romantismo e, depois de ler o soneto que produzi, ela me chamou para uma conversa e disse que eu deveria desenvolver aquele talento. A partir daquele dia, tanto ela como meu professor de História, senhor Alberto, passaram a incentivar minha escrita e minha curiosidade intelectual. Os dois tiveram um papel decisivo e fundamental na formação da escritora que eu viria a ser.

Segui, então, o caminho do Direito e, mais tarde, também da História. Embora pareçam áreas diferentes, sempre enxerguei nelas uma mesma pergunta: como compreender o ser humano, a sociedade e o mundo? O Direito me ensinou a lidar com os conflitos da vida real; a História me mostrou como esses conflitos se formam ao longo do tempo; e a Literatura me ofereceu a liberdade de explorar aquilo que nem sempre cabe nos documentos ou nos processos.

Durante muitos anos, a escrita permaneceu em segundo plano enquanto eu construía minha carreira profissional. Foi somente após concluir a Faculdade de Direito, em um período em que ainda buscava minha afirmação profissional, que escrevi meu primeiro romance, June, uma ficção histórica e, ao mesmo tempo, um romance de formação. A publicação desse livro marcou uma mudança definitiva: a partir dali, escrever deixou de ser apenas um sonho cultivado desde a adolescência para se tornar um projeto de vida.

Desde então, nunca mais abandonei a literatura.

“A literatura permite explorar a complexidade humana sem a obrigação de oferecer respostas definitivas”

Gisele, sua atuação profissional transita entre o Direito, a História e a Literatura. Como essas três áreas conversam e se alimentam mutuamente na sua escrita acadêmica e de ficção (como em suas obras Hu-Qi e A Mandinga da Sereia)?

Eu acrescentaria uma quarta área a essa pergunta: a Filosofia!

Embora eu não tenha formação acadêmica em Filosofia, ela está presente na minha rotina de estudos e, principalmente, na maneira como procuro compreender o mundo. No fundo, Direito, História, Literatura e Filosofia não ocupam compartimentos separados na minha vida. Elas dialogam o tempo todo porque todas procuram compreender, cada uma à sua maneira, o ser humano e a sua relação com o mundo em que está inserido.

É justamente esse fascínio pelo comportamento humano. Interessa-me compreender por que as pessoas amam, odeiam, acreditam, mentem, sacrificam-se, perdoam ou escolhem a violência. Interessa-me entender como as circunstâncias moldam o indivíduo e, ao mesmo tempo, como as escolhas individuais podem transformar a própria História.

O Direito me ensinou a olhar para os conflitos concretos da sociedade e para os limites éticos que organizam a convivência humana. A História amplia esse olhar ao mostrar que nenhum acontecimento nasce do acaso: cada decisão, cada guerra, cada transformação política ou cultural é resultado de um longo processo. Já a Filosofia me convida a questionar aquilo que muitas vezes tomamos como evidente, lembrando que as melhores respostas quase sempre começam por uma boa pergunta.

A Literatura, por sua vez, reúne tudo isso. Ela permite explorar a complexidade humana sem a obrigação de oferecer respostas definitivas. Enquanto o historiador trabalha com documentos e o jurista com provas, o escritor pode investigar as emoções, as contradições, os silêncios e os dilemas que raramente aparecem nos registros oficiais.

Acredito que seja por isso que minhas obras transitam entre gêneros tão diferentes. Em Hu-Qi, a fantasia é apenas o cenário para discutir poder, identidade, memória e escolhas morais. Em A Mandinga da Sereia, o mistério e a herança cultural servem para refletir sobre nossas tradições e sobre a forma como construímos nossas narrativas. Independentemente do gênero, meus livros sempre procuram investigar aquilo que considero o tema mais inesgotável de todos: a natureza humana.

“Sempre fui movida pela curiosidade e pela necessidade de compreender as razões que estão por trás das ideias”

Você se autodefine como alguém de “mente inquieta e língua afiada”. De que forma essa personalidade mais assertiva e questionadora se reflete no tom dos seus textos e crônicas autorais?

Sempre fui movida pela curiosidade e pela necessidade de compreender as razões que estão por trás das ideias, dos comportamentos e das estruturas que organizam a sociedade. Tenho dificuldade em aceitar respostas prontas. Prefiro perguntar, investigar e tentar compreender por que pensamos e agimos da maneira como pensamos e agimos. Essa inquietação, naturalmente, acabou encontrando espaço na minha escrita.

Por isso, acredito que minha literatura possa ser considerada, em certo sentido, uma literatura engajada. Mas não utilizo essa expressão para me referir ao alinhamento com uma corrente política específica, seja de direita, de esquerda ou qualquer outra. Refiro-me ao compromisso da arte com o seu tempo, com a observação crítica da realidade e com a disposição de provocar reflexão. Gosto de construir histórias que convidem o leitor a olhar para além do senso comum, revisitar tradições, questionar certezas e perceber que uma mesma realidade pode ser observada por diferentes perspectivas.

Se a literatura tem essa capacidade de ampliar nosso olhar, acredito que ela também deve respeitar a liberdade do leitor. Não me interessa escrever livros que entreguem respostas prontas ou digam às pessoas o que elas devem pensar. Prefiro criar personagens, conflitos e situações que despertem perguntas e revelem a complexidade da experiência humana. Afinal, é no questionamento que o pensamento crítico começa a se desenvolver.

Talvez seja justamente por isso que nunca me identifiquei plenamente com a ideia de arte pela arte. Toda obra nasce de um olhar sobre o mundo e, de alguma maneira, dialoga com a realidade em que foi produzida. A literatura alcança sua maior potência quando consegue ampliar nossa compreensão sobre nós mesmos, despertar empatia e nos fazer sair da leitura um pouco diferentes de como entramos.

Sei que um livro, sozinho, é incapaz de mudar o mundo. Mas acredito que ele pode transformar uma pessoa. E são justamente as pessoas que transformam o mundo.

Em um cenário digital muitas vezes polarizado, você se posiciona no seu blog e redes como partidária do “bom senso e do diálogo”. Quais são os maiores desafios de produzir conteúdo focado no debate equilibrado hoje no YouTube e no podcast GPensadora?

O desafio é enorme. Vivemos um momento em que o debate público se tornou profundamente polarizado e, talvez o mais preocupante, em que fatos objetivos são cada vez mais tratados como se fossem apenas uma questão de opinião. Quando a realidade passa a ser constantemente reinterpretada para se adequar às convicções de cada grupo, perdemos aquilo que torna o diálogo possível: um compromisso comum com a verdade dos fatos.

As redes sociais acabam intensificando esse fenômeno. A velocidade da informação, a lógica dos algoritmos e a busca constante por engajamento favorecem discursos cada vez mais simplificados, emocionais e polarizados. Em um ambiente assim, refletir tornou-se mais difícil do que reagir, e questionar passou, muitas vezes, a ser confundido com tomar partido.

Diante desse cenário, procuro construir um caminho diferente no GPensadora, no blog e nos demais espaços em que produzo conteúdo. Não acredito que o papel de um criador seja oferecer respostas prontas ou convencer as pessoas a adotarem determinada visão de mundo. Prefiro provocar perguntas, apresentar diferentes perspectivas e incentivar o leitor ou o espectador a desenvolver autonomia intelectual para formar suas próprias conclusões.

Todos nós temos valores, crenças e convicções. O compromisso que considero indispensável, porém, é não permitir que essas convicções nos autorizem a distorcer a realidade. O pensamento crítico começa justamente quando estamos dispostos a confrontar nossas próprias certezas diante dos fatos.

Se meu trabalho conseguir despertar essa disposição para refletir, dialogar e questionar com honestidade intelectual, acredito que ele já terá cumprido seu propósito.

O nome GPensadora carrega uma forte identidade filosófica e reflexiva. Como surgiu a ideia do canal e qual é o principal impacto que você busca gerar nos seus ouvintes e seguidores?

O GPensadora nasceu de um propósito que já existia antes mesmo do canal. Eu mantinha um blog em que compartilhava textos autorais e indicações de leitura, porque sempre acreditei que a literatura não existe para nos afastar da realidade, mas para nos ensinar a enxergá-la melhor. Um bom livro amplia nosso olhar sobre nós mesmos, sobre a sociedade e sobre a condição humana.

Quando a pandemia chegou, senti que aquele era o momento de levar esse projeto para outra plataforma. Em meio ao isolamento e às incertezas que marcaram aquele período, imaginei que os livros poderiam oferecer algo muito valioso: não apenas entretenimento, mas também companhia, reflexão e esperança. Foi assim que surgiu o canal no YouTube.

O nome GPensadora representa exatamente essa proposta. Mais do que um espaço para falar sobre livros, eu queria criar um ambiente em que a literatura dialogasse com a História, o Direito, a Filosofia e os grandes temas do nosso tempo. Sempre acreditei que um livro não termina quando fechamos a última página. Ele continua vivo nas perguntas que desperta e na maneira como transforma nosso olhar sobre o mundo.

Também havia um desejo muito claro de democratizar o acesso à literatura. Durante muito tempo, os livros foram apresentados como algo distante, elitizado ou reservado a um pequeno grupo de pessoas. Eu penso justamente o contrário. A boa literatura pertence a todos. Ela não exige um conhecimento prévio extraordinário; exige apenas curiosidade e disposição para pensar.

Se hoje existe um impacto que busco gerar por meio do GPensadora, é mostrar que a leitura pode ser uma poderosa ferramenta de emancipação intelectual. Não porque um livro tenha o poder de mudar o mundo por si só, como já mencionei, mas porque ele pode transformar a maneira como uma pessoa compreende a realidade. E quando mudamos a forma de enxergar o mundo, também mudamos a forma de agir sobre ele.

“Para mim, a leitura deixou de ser apenas um hobby há muito tempo”

No seu blog, você compartilha textos autorais e dicas de leitura. Como você organiza sua rotina para ler “nas horas vagas e nas horas de trabalho também” e como escolhe os livros que vai indicar ao seu público?

Para mim, a leitura deixou de ser apenas um hobby há muito tempo. Como escritora, ela faz parte do meu ofício. Escrever exige imaginação, mas a imaginação também precisa ser alimentada. A criatividade não surge do vazio; ela nasce das experiências que acumulamos, das ideias que encontramos pelo caminho e do diálogo constante com outros autores.

Por isso, procuro reservar todos os dias um tempo para a leitura. Em geral, dedico pelo menos uma hora diária aos livros, embora muitas vezes esse tempo seja maior. Além da literatura, também leio obras de História, Filosofia e outras áreas que ampliam minha compreensão sobre o comportamento humano. Acredito que um escritor precisa cultivar uma curiosidade permanente, porque tudo o que aprendemos, mais cedo ou mais tarde, encontra um lugar na escrita.

Para resenhas no canal GPensadora, procuro selecionar livros que ofereçam mais do que uma boa narrativa. Tenho um carinho especial pela literatura brasileira, tanto clássica como contemporânea, porque acredito que ela nos ajuda a compreender melhor quem somos enquanto sociedade brasileira. Mas, independentemente da nacionalidade da obra, busco livros que despertem perguntas, provoquem reflexão e permaneçam com o leitor mesmo depois da última página.

Mais do que recomendar uma leitura, meu objetivo é convidar as pessoas a descobrir que os livros podem ser uma forma de compreender o mundo, e, muitas vezes, de compreender a si mesmas.

Ao escrever histórias que envolvem mistério, fantasia ou herança cultural, o quanto a sua bagagem como professora de História influencia na pesquisa e na construção do universo dos seus livros?

Minha formação como professora de História influencia profundamente a maneira como construo minhas narrativas. Não apenas pelo rigor da pesquisa ou pela reconstrução de contextos históricos, mas porque acredito que a literatura exerce um papel essencial na preservação da memória coletiva. A História registra os fatos; a literatura preserva a experiência humana desses fatos. Ela nos permite compreender não apenas o que aconteceu, mas como as pessoas sentiram, pensaram e enfrentaram os desafios de seu tempo.

Essa convicção acompanha todo o meu processo criativo. Mesmo quando escrevo fantasia, procuro construir universos que dialoguem com culturas, acontecimentos e estruturas sociais inspiradas na realidade. A pesquisa histórica oferece consistência à narrativa, enquanto a ficção me dá a liberdade de explorar aquilo que os documentos não conseguem revelar: os medos, os afetos, os conflitos morais e as escolhas que moldam a existência humana.

É justamente nesse encontro entre História e imaginação que minha escrita encontra sua identidade. Mais do que reconstituir épocas ou criar mundos ficcionais, procuro escrever histórias que dialoguem com questões permanentes da condição humana. Afinal, embora os contextos históricos mudem, os dilemas, os medos, as esperanças e os conflitos das pessoas continuam surpreendentemente atuais. Talvez seja essa uma das maiores contribuições da literatura: aproximar passado e presente para que possamos compreender melhor quem somos.

Você diz que adora fazer trilhas em meio à natureza. O silêncio e o isolamento das caminhadas servem como um momento de bloqueio criativo ou, pelo contrário, as ideias para novas histórias costumam surgir no meio do mato?

Existe um estereótipo curioso de que quem trabalha com livros passa o tempo livre apenas entre as estantes de uma biblioteca. Eu gosto muito de ler, é claro, mas, como qualquer pessoa, também preciso de momentos longe do trabalho.

Estar em contato com a natureza é uma forma de reorganizar os pensamentos. Caminhar, conhecer lugares diferentes, observar paisagens e conversar com pessoas que têm histórias completamente distintas da minha, ajuda a sair da rotina e a ampliar meu olhar sobre o mundo. Acho que todo escritor precisa, antes de tudo, ser um bom observador da vida.

Curiosamente, muitas ideias aparecem justamente quando deixo de procurá-las. Durante uma trilha ou uma viagem, a mente faz conexões inesperadas, personagens ganham novas camadas e ideias surgem com naturalidade.

Além disso, viajar e fazer trilhas me recorda que a literatura não nasce apenas dos livros. Ela também nasce das pessoas que encontramos, das conversas que ouvimos, dos lugares que conhecemos e das experiências que vivemos. Ler continua sendo indispensável para quem escreve, mas viver novas experiências também é uma das formas mais importantes de pesquisa.

Dizem que conviver com crianças renova o nosso olhar sobre o mundo. Brincar com seus sobrinhos te traz inspiração para exercitar o lado lúdico da escrita ou serve puramente como um refúgio da seriedade da advocacia?

Acho que um pouco das duas coisas. Hoje moro longe da maior parte dos meus sobrinhos e, como acontece com todas as famílias, eles cresceram muito mais rápido do que eu gostaria. Por isso, cada encontro acaba se tornando ainda mais especial.

Estar com eles sempre me lembra que a vida adulta, apesar de todas as responsabilidades que carrega, não precisa perder a leveza. As crianças têm uma maneira muito própria de olhar o mundo: fazem perguntas inesperadas, enxergam possibilidades onde nós, adultos, vemos apenas rotina e nos lembram da importância de valorizar os pequenos momentos.

Não diria que eles inspiram diretamente os personagens ou as histórias que escrevo, mas certamente me ajudam a preservar algo que considero muito importante para qualquer escritor: a capacidade de se encantar. Estar com eles funciona como uma ponte para a infância e, ao mesmo tempo, como um reencontro com uma parte de mim que a correria da vida adulta muitas vezes tenta esconder.

Talvez seja justamente esse equilíbrio que eu procuro cultivar. A disciplina e a responsabilidade são indispensáveis para quem escreve, mas a curiosidade, a imaginação e a capacidade de se maravilhar com o mundo continuam sendo qualidades que aprendemos muito bem com as crianças.

Muitos escritores independentes enfrentam barreiras de distribuição. Como tem sido a sua experiência utilizando as redes sociais (Instagram, Twitter e Facebook) para construir e engajar a sua própria comunidade de leitores?

Construir uma comunidade de leitores nas redes sociais é um dos maiores desafios para quem publica de forma independente. Escrever um livro é apenas parte do trabalho. A outra é fazer com que ele encontre seus leitores, e isso exige muito mais do que divulgação: exige presença, diálogo e consistência.

Quando criei o GPensadora, em 2009, ainda como um blog, meu objetivo era compartilhar minhas ideias e contribuir para dar mais visibilidade à literatura, especialmente aos escritores brasileiros independentes. Naquele momento, o grande desafio era conquistar um espaço onde nossa voz pudesse ser ouvida.

Hoje, o cenário mudou completamente. As redes sociais democratizaram a produção de conteúdo e nunca tivemos tantos canais de comunicação à nossa disposição. Paradoxalmente, quanto mais vozes existem, mais difícil se torna conquistar a atenção das pessoas. Se antes buscávamos um espaço para falar, hoje precisamos aprender a comunicar com relevância em meio a um fluxo quase infinito de informações.

Por isso, procuro enxergar as redes sociais não apenas como um meio de divulgar meus livros, mas como um espaço de diálogo e de formação de leitores. Meu objetivo nunca foi apenas aumentar números ou acumular seguidores. Quero construir uma comunidade de pessoas que compartilhem o interesse pela literatura e pela reflexão. Se alguém chega ao GPensadora por causa de um vídeo, de um texto ou de uma postagem e termina a experiência com vontade de ler um bom livro ou de pensar um pouco mais sobre o mundo, acredito que todo esse trabalho já fez sentido.

Para encerrar o nosso bate-papo: se você pudesse dar apenas um conselho para quem também tem uma mente inquieta e quer começar a colocar suas ideias e pensamentos no papel, qual seria?

O conselho que eu deixo para quem também sonha em escrever é: não espere pelo momento perfeito. Comece agora. Escreva, leia, reescreva, aceite críticas, aprenda continuamente. O talento é apenas o ponto de partida. É o estudo, a disciplina e a dedicação que transformam uma inclinação em um verdadeiro ofício.

Escrever é como qualquer outra profissão. Exige técnica, exige repertório, exige humildade para reconhecer que sempre há algo novo a aprender. A inspiração é importante, mas ela encontra muito mais facilmente quem está trabalhando todos os dias.

E, acima de tudo, escreva porque você tem algo a dizer. As técnicas podem ser aprendidas, mas a autenticidade de uma voz nasce da coragem de olhar para o mundo, fazer perguntas e compartilhar, por meio das palavras, aquilo que só você é capaz de contar.

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Redes sociais da escritora Gisele P. Silva Rumin:

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Tik Tok: @giselesilvarumin
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Bluesky: @silvarumin.bsky.social
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