Cinema Nacional
História que vai à telona contada com maturidade
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Eu, assim como tantos brasileiros, fiquei muito feliz ao acompanhar as premiações recentes do cinema internacional. Ver o Brasil ser reconhecido no Globo de Ouro, com o prêmio de melhor filme em língua não inglesa, e assistir ao Wagner Moura ser consagrado como melhor ator em filme dramático, provoca certo orgulho. Não é apenas sobre troféus: é sobre sermos vistos, ouvidos e levados a sério.
Esse reconhecimento não veio do nada. No ano passado, o filme Ainda Estou Aqui venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, consolidando a sensação de que o cinema brasileiro vive um momento extraordinário, talvez o melhor de sua história. Há qualidade técnica, força narrativa, diversidade estética e, sobretudo, coragem artística. Estamos contando nossas próprias histórias com maturidade e potência.
O que me chama muito a atenção é que esses dois filmes premiados têm como tema central a ditadura brasileira. Não é coincidência. Isso diz muito sobre quem somos e sobre o tempo histórico que estamos vivendo. Há feridas que não cicatrizaram, silêncios que nunca foram devidamente quebrados e memórias que insistem em voltar, porque precisam voltar.
Ainda há muito a ser dito sobre esse período. Precisamos de mais filmes, mais séries, mais livros e mais debates que encarem essa temática de frente. O fato de ainda existirem pessoas saudosas de um período tão violento e autoritário é a prova de que esse assunto está longe de ser resolvido entre nós. Não se trata de revanchismo, mas de memória, verdade e responsabilidade histórica.
Talvez seja exatamente por isso que o cinema brasileiro esteja tão forte agora. Porque ele não foge do que dói. Pelo contrário: ilumina o que foi escondido, provoca reflexão e nos obriga a encarar quem fomos e quem não podemos voltar a ser.
Que venham mais prêmios. Mas, sobretudo, que venham mais histórias contadas com essa mesma coragem.