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Mambembes

Hoje tem marmelada?… Tem sim, senhor!

Publicado

Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e foto

Os errantes, os fugazes viajantes
buscando sempre a vibração perdida
Todos os dias caem da árvore da memória
onde brilha o nome, o melancólico ansiado barco,
o sol desbotado
refletido na menina do olho marejado

Oh! que percurso essencial descrevem os errantes
em sua busca em queda livre, abismados
Sobre o arame, com fome e vidrados
compondo a arriscada síntese do exílio

E tu, vontade insatisfeita
onde encontrarás os frutos
da árvore do querer
As alegrias do estar e do ser
que nos rompem a alma de tanto ansiar?

A rosa branca do olhar
que na procura a tudo reverdece
a todo o instante aquece e esquece
o som da queda e escuta
só o tilintar da sorte

No inventado pó de serra do picadeiro
o bolso vazio da esperança nos empurra
e estanca num breve riso tal furtivo afago
ilusão de cão, dança e encanta

Mas a vida logo nos arranca o curativo
nos retira o tapete mágico do sono eterno
e nos remete para a nossa condição
de feridos nas asas e nas almas

Seguimos assim, artistas de picadeiro
num instante congelados
Doloroso martírio de prosseguir
sem pés, estrada ou caminho

Eternos estrangeiros desterritorializados
peregrinos de desamparos circunstanciais
Seres nômades/vagantes sempre a ousar
e a se espatifar

Não, não há razão para calafrios:
no fim estará sempre o começo
A vertigem, o desafio, o salto
E o tropeço

…………………..

Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador; nasceu num Circo Teatro mambembe dos pais Mário/Motinha e Nair/Nhá Fia e viveu a infância de cidade em cidade. Mora, hoje, na vila de pescadores da Guarda do Embaú SC.

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