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Ódio nas redes

Homem que declarava amor ao preconceito é preso pela PCDF

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu preventivamente, nesta quinta-feira (20), Alan Braga, de 41 anos, em Ceilândia. A ação foi coordenada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação (Decrin), motivada por investigações de racismo, misoginia, xenofobia e apologia ao crime cometidos na internet. O suspeito utilizava as redes sociais para propagar discursos extremistas, chegando a estampar a frase “Eu odeio gente negra” na biografia de seu perfil público.

A gota d’água para a operação ocorreu no final de julho, quando o investigado publicou vídeos com ataques diretos a mulheres e nordestinos, declarando abertamente sua aversão a esses grupos. Diante do teor das postagens, a 2ª Vara Criminal de Santa Maria expediu os mandados de prisão e de busca e apreensão. O Judiciário considerou o homem perigoso para o convívio social devido à gravidade e à frequência de suas manifestações preconceituosas no ambiente digital.

Durante a abordagem em sua residência, os agentes apreenderam o aparelho celular utilizado para gravar e publicar os conteúdos criminosos. No local, a equipe também identificou o cenário usado nos vídeos: uma parede decorada com dois crucifixos e pichada com frases de ódio escritas à mão. Em uma das inscrições, o autor afirmava que todo o rancor guardado em seu coração ainda era pouco, reforçando o caráter obsessivo de sua conduta.

O histórico de Alan Braga aponta para uma reincidência crônica no radar das autoridades policiais. Em junho deste ano, ele já havia sido indiciado pela Decrin por desferir ofensas racistas contra uma policial civil negra no perfil oficial da PCDF, ironicamente no Dia Internacional da Mulher. Outros registros em delegacias do DF também detalham ataques anteriores desferidos por ele contra grupos específicos, incluindo mato-grossenses e mineiros.

De acordo com a delegada da Decrin, Thalita Nobrega, o investigado ia além do desabafo preconceituoso e incitava ativamente terceiros a cometerem crimes contra minorias. Caso seja formalmente condenado pela somatória dos crimes de racismo e apologia ao crime, a pena estimada para o suspeito pode ultrapassar os 10 anos de reclusão. As autoridades reforçam que a internet não é uma terra sem leis e que discursos dessa natureza geram punições severas.

No mês anterior, o homem já havia sido alvo de uma operação de busca realizada pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural). Aquela linha de investigação inicial buscava mapear o nível de envolvimento do suspeito com grupos ou células extremistas que operam em fóruns e comunidades virtuais. Com a prisão desta quinta-feira, a Polícia Civil espera interromper o ciclo de violência digital promovido pelo acusado e aprofundar a análise do material apreendido.

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