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“Ele era muito controlador”

Homem vai a júri por matar ex-companheira

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

O Tribunal do Júri do Distrito Federal submeteu a julgamento, nesta quarta-feira (10), Janilson Quadros de Almeida, de 37 anos, acusado do feminicídio de sua ex-companheira, Daniella De Lorena Pelaes. A funcionária da Telebras, que tinha 46 anos, foi assassinada a facadas no interior de um condomínio residencial na região do Jardim Botânico. O crime causou grande comoção devido ao histórico de perseguição e violência que antecedeu o desfecho fatal.

De acordo com as investigações policiais, as agressões e o comportamento obsessivo do acusado não eram novidade na rotina da família. Gabriela Pelaes, filha da vítima que tinha 17 anos na época do crime, relatou que o réu demonstrava um perfil extremamente controlador e sufocante. A jovem detalhou que, embora inicialmente Janilson parecesse atencioso, ele logo passou a monitorar as amizades, as conversas, as saídas e até as músicas que Daniella ouvia.

O histórico de violência já havia obrigado Daniella a tomar atitudes drásticas para tentar proteger a si mesma e a seus filhos. Ela decidiu se mudar do estado do Amapá para Brasília após romper o relacionamento, motivada justamente pelas atitudes agressivas do ex-companheiro. Na capital federal, a funcionária pública tentou reconstruir sua vida longe das ameaças, mas o agressor continuou a perseguir o núcleo familiar.

A gravidade da situação levou a Justiça do Distrito Federal a conceder uma medida protetiva de urgência em favor de Daniella e de seus filhos dois meses antes do assassinato. Pela ordem judicial, Janilson estava proibido de estabelecer qualquer tipo de contato com as vítimas por meios de comunicação. Ele também era obrigado a manter uma distância mínima de 300 metros da ex-mulher e das crianças.

Apesar do amparo legal, a situação sofreu uma reviravolta no início de maio de 2024, mês em que o crime foi consumado. Influenciada por promessas de mudança de comportamento feitas pelo agressor, Daniella compareceu à Justiça para retirar o pedido de medida protetiva. Janilson havia alegado que pretendia se regenerar e que seu único objetivo era ter a oportunidade de visitar o filho do casal, de apenas 3 anos, com maior frequência.

A flexibilização da segurança selou o destino da servidora de forma trágica nas semanas seguintes. Na data do crime, por volta das 5h da manhã, Janilson enviou uma mensagem de texto para a ex-companheira exigindo ver o filho de forma imediata. Devido ao horário inapropriado, Daniella recusou o pedido, o que desencadeou uma reação furiosa por parte do acusado.

Inconformado com a recusa, o homem dirigiu-se imediatamente ao condomínio fechado onde a vítima residia no Jardim Botânico. Como possuía cadastro de morador e acesso livre ao local, ele passou sem dificuldades pela cancela de segurança da portaria. Ao chegar à residência de Daniella, o agressor arrombou a porta de entrada para invadir o imóvel e cometer o assassinato.

O ataque a facadas foi executado com extrema crueldade no interior da residência da família. Toda a ação violenta foi presenciada pelos três filhos de Daniella, que eram menores de idade à época, incluindo a filha de 17 anos e a criança de 3 anos. Logo após desferir os golpes fatais contra a ex-companheira, Janilson tentou tirar a própria vida utilizando a mesma arma branca.

Os serviços de emergência foram acionados por vizinhos e familiares logo após o ocorrido. Socorristas do Samu prestaram atendimento ao agressor ferido, que foi levado sob custódia policial ao Hospital de Base de Brasília. Janilson foi preso em flagrante ainda na unidade de saúde e permaneceu detido até o início do julgamento popular nesta quarta-feira. A reportagem não conseguiu contato com os advogados de defesa do réu.

Casos de violência doméstica no Distrito Federal podem ser denunciados 24 horas por dia por canais da Secretaria de Segurança Pública. A população tem à disposição os telefones 190 (Polícia Militar) e 197 (Polícia Civil), o e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br e o WhatsApp (61) 98626-1197. O atendimento especializado presencial ocorre nas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAM I e II), situadas na Asa Sul e em Ceilândia.

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