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E pur si muove

Hora da onça beber água com fungada no cangote de golpistas

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Autor/Imagem:
Emiliano José/Via Pátria Latina - Foto Reprodução

Não se tem certeza se a frase de Galileu Galilei (E pur si muove), dita logo após ele ter renegado frente à Inquisição a visão heliocêntrica do mundo. Verdade ou não, ela acaba de me vir à mente. A terra se move, e pur si muove.

Penso ser um dia histórico, embora devamos ter cuidados quanto às reais consequências das decisões oriundas da Justiça. Vamos, no entanto, celebrar. Não creio ter sabido, em nossa história, de investida como essa.

Oficiais graúdos das Forças Armadas tendo de começar, só começar, a responder por crimes, pelas movimentações golpistas sob a orientação do presidente derrotado nas últimas eleições.

O ex-presidente, obrigado a entregar o passaporte em 24 horas, e sem poder escapar num jet ski. Fugir para o exterior, não vai poder.

Homens de tanta coragem, ao menos alardeada, evidenciaram insuspeitada fraqueza e covardia: houve oficial do Exército desmaiando quando a PF chegou.

O jornalista Rodrigo Rangel matou a cobra e mostrou a cobra morta: o tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, comandante do Primeiro Batalhão de Operações Psicológicas do Exército, com sede em Goiânia, ao ser surpreendido pela PF, teve um piripaco, desmaiou, sendo socorrido às pressas. Se recuperou depois e até colaborou com as buscas.

Coronel Marcelo Costa e Filipe Martins, dois bolsonaristas de carteirinha, presos. O major do Exército, Rafael Martins de Oliveira, preso. Busca e apreensão nas residências dos generais Braga Netto e Augusto Heleno, e estes dispensam apresentações quanto ao golpismo e à subserviência ao ex-presidente.

Tais buscas e apreensões atingem ainda o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e ex-comandante do Exército, além de Anderson Torres.

Há outros alvos graúdos: general Estevam Cals Theóphilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército, e o coronel Cleverson Ney Magalhães, ex-oficial do Comando de Operações Terrestres, coronel Bernardo Romão Corrêa Netto, além de, na área civil, Valdemar da Costa Neto.

E outro graúdo, este com acentuada vocação golpista: almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante geral da Marinha.

São alguns dos alvos. Se o leitor, a leitora quiserem, a lista completa está disponível na imprensa, à vontade. Quero ressaltar o significado histórico de tudo isso, pensando desde o 8 de janeiro de 2023.

Pela primeira vez, uma tentativa de golpe de grande porte foi sufocada, graças à pronta ação do presidente Lula e das instituições. Segundo, a resposta da Justiça está chegando aos peixes graúdos. Terceiro, boa parte de tais peixes, das Forças Armadas. Quarto, vamos dando passos no sentido de não anistiar criminosos quando dos golpes, tal e qual se fez diante do golpe de 1964, não porque a lei de anistia o tenha feito, mas porque afirmou-se tradição de nunca responsabilizar membros das Forças Armadas e, naquele caso, quaisquer agentes criminosos, além de uma vergonhosa decisão do STF afirmando a inimputabilidade de torturadores.

Com a operação “Tempus Veritatis” estamos dando passos no sentido de quebrar aquela odiosa tradição e, quem sabe, dar às Forças Armadas o papel a ela atribuído na Constituição, e apenas isso, mudando-se, espera-se, artigo a lhe dar uma espécie de atribuição de poder moderador da República.

Pode ser apenas um pensamento desejoso. Mas talvez não. Quem sabe esteja chegando o tempo da democracia. Onde a lei valha para todos. Para quaisquer patentes. Sem se perguntar por fortuna. Tenha jet ski ou iates. Mansões ou não. E pur si muove…

 

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