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Amor pelas ausências

Horizonte da Eternidade

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Entre oceanos e silêncios, dois corações descobriram que o tempo não existe quando o amor escreve.

Ela, uma estrela em forma de borboleta, deixava o néctar de seus sonhos cair sobre cada verso;
ele, com voz de brisa dourada, respondia com palavras capazes de acender constelações.

Não se conheciam pelos olhos, mas sim pela essência.
De mundos distintos, compreendiam que a poesia é ponte invisível,
um tecido de emoções onde almas se encontram sem precisar de presença física.
Nas madrugadas serenas, seus versos viajavam como cometas,
buscando o calor de um eco ou a ternura de uma resposta.

Ela dançava entre metáforas, semeando esperança em cada linha,
sentindo que cada palavra era oferenda,
um fragmento de sua alma libertado em forma de luz.
Ele aguardava o instante em que aquelas gotas celestes tocassem seu coração,
e ao senti-las, uma paz radiante o envolvia:
a certeza de que nunca caminhava só.

Com o passar dos dias, seus poemas se entrelaçaram como fios de destino,
ele reconhecia sua voz entre mil murmúrios,
como quem distingue o canto do mar entre os sons da noite.
Ela encontrava refúgio em suas palavras,
um lar feito de imagens e silêncios partilhados.

Assim nasceu entre eles um amor pelas ausências,
um amor pelas promessas que vivem apenas nos versos,
um laço que já existia em um plano mais profundo,
onde os corpos não têm peso e as palavras são pele.

Mesmo separados por mares e distâncias,
suas vozes se encontraram no mesmo lugar:
o limiar da eternidade, onde a poesia se torna vida
e o amor atravessa todas as fronteiras.
E quando o silêncio do mundo cobria suas noites,
cada um sabia que, em algum canto do ar,
a voz do outro chamava suavemente seu nome.

Com o tempo, seus versos se tornaram uma única melodia,
uma canção que falava da alma e do que o coração guarda em silêncio.
Nessa comunhão, compreenderam que criar era também amar,
e que a ternura podia vencer as ondas invisíveis da distância.

E numa noite sem lua, ambos olharam o mesmo ponto do céu.
Não havia sinais nem palavras, apenas a certeza de um encontro intangível:
o instante em que duas almas, cansadas de esperar,
se abraçam na linguagem eterna da poesia.

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