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Opção errada

IA faz de pesadelo o primeiro sonho de 01

Publicado

Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo

Depois de ter visto o vídeo do senador Flávio Bolsonaro de sunguinha branca, bebericando energético e com a faixa de presidente da República, não tenho mais dúvida alguma de que a família realmente não leva a política a sério. O Brasil e os brasileiros eles nunca levaram. Com exceção dos de sempre, os loucos pela barafunda e pelos filmes pornôs masculinos, resta ao candidato do garanhão (?) Valdemar Costa Neto revisitar o Tribunal Superior Eleitoral, retirar seu nome da disputa presidencial e lançar sua candidatura a muso do veranico carioca, comemorado o ano inteiro em seleto reduto da Cidade Maravilhosa.

Provavelmente, em breve o primogênito do machista ex-presidente Jair Bolsonaro creditará a Luiz Inácio Lula da Silva a divulgação do espetaculoso vídeo. Ridículo para um beócio e despombalizado cidadão, inadequado para uma campanha em busca de votos e inapropriado para quem almeja alcançar a cadeira mais valiosa da política nacional, o vídeo foi publicado nos stories do candidato e não em peça oficial de campanha ou com pedido de voto. Por isso, pelo menos não houve quebra de nenhuma regra imposta pelo TSE para o uso de Inteligência Artificial em redes sociais.

Por falar em IA, certamente faltou inteligência a quem publicou a imagem com estética do futuro jogo GTA VI e, principalmente, a quem mandou publicá-la. Não tenho expertise no assunto, mas, após checar com os entendidos, descobri que o referido jogo gira em torno de uma dinâmica estilo “Bonnie e Clyde” moderna e explora lealdade, sobrevivência e uma grande conspiração criminal no estado fictício de Leonida (inspirado na Flórida), tendo a clássica Vice City. Ou seja, o pano de fundo é criminoso, envolve perseguição e dinheiro desaparecendo. Tudo a ver com a proposta política dos seguidores e defensores do extremismo.

Apenas ironia do destino político ou o vídeo baseado no GTA VI foi inspirado na relação entre o presidenciável e Daniel Vorcaro, o presidiário que bancou Dark Horse? Seja lá o que for, os que insistem em imaginar Flávio Bolsonaro subindo a rampa do Palácio do Planalto devem estar bem próximos do doutorado em desinteligência venérea, congênita e contagiosa. E eu tentando encontrar algo de positivo no fim de semana para falar sobre o candidato apresentado pelo clã Bolsonaro e pela família golpista do Partido Liberal como o melhor para o Brasil. Procurei e achei o tal vídeo.

Se a ideia dos marqueteiros era mostrar o candidato com força capaz de governar uma nação de 212,3 milhões de habitantes, entraram por um daqueles grossos canos de passar tolete. Baixar o nível logo no primeiro dia oficial da corrida presidencial significa atirar no próprio pé e atingir o saco de baixo para cima. Considerando que, no Brasil, ultraje ao poder é coisa que se faz escondido, essa nova, cômica, burlesca e caricata exposição é para deixar Flávio Bolsonaro definitivamente com as calças na mão. Como dizia o tricolor Stanislaw Ponte Preta, há sujeitos tão inábeis que sua ausência preenche uma lacuna. Portanto, é o início do fim do desejo de chegar ao Planalto.

Como na política quem tem um olho é rei, é fácil admitir que, além de cego, o candidato do PL não tem pedigree sequer para tentar o título de bobo da corte da realeza. Desconheço a direção a ser seguida pelo Bolsonaro 01. O que sei é que, para o muso carioca, a campanha começou quando ele compreendeu que ela não duraria muito. Não estivéssemos em agosto, o mês do desgosto, Valdemar e sua facção certamente diriam que o vídeo era do tipo 1º. de Abril. Mais uma vez me valendo dos ensinamentos de Millôr Fernandes, o que posso dizer a Flávio Bolsonaro é o que o Brasil inteiro já sabe: A política não costuma tolerar tantos erros. Aliás, errar é humano, mas ser apanhado em flagrante é burrice.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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