Recife
IA vai ajudar profissionais a identificar vítimas de violência doméstica
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Uma ferramenta que usa inteligência artificial vai ajudar profissionais de saúde a identificar possíveis vítimas de violência doméstica no Recife. Chamada “ClarIA”, a tecnologia já está sendo utilizada na atenção básica e, de acordo com Luciana Albuquerque, secretária de saúde do município, até julho toda a rede estará apta para usar o sistema.
Segundo a secretária, a ferramenta emite um alerta no prontuário eletrônico da paciente para médicos, enfermeiros, dentistas e profissionais das equipes multidisciplinares (E-Multi) da rede municipal quando há suspeita de que a mulher esteja sendo vítima de violência.
“Durante a consulta, a inteligência artificial faz uma análise semântica a partir do que o profissional está preenchendo no prontuário eletrônico e diz: ‘essa mulher provavelmente pode estar sendo vítima de violência. Faça uma abordagem diferente, veja o que você consegue captar a partir da fala dela e faça os encaminhamentos necessários’. Pode ser encaminhamento para a rede de proteção e notificação. Ou, quando o alerta é vermelho, a inteligência artificial indica que ela já está em situação de violência e precisa ser encaminhada”, explicou.
Os alertas são classificados em duas cores:
Laranja: possível caso de violência doméstica;
Vermelho: confirmação de situação de violência doméstica.
A partir do alerta, o profissional deve notificar o caso e encaminhar a mulher para a rede de proteção, para que ela receba o suporte necessário. Segundo Luciana Albuquerque, a decisão sobre denunciar ou não a situação continua sendo da vítima.
“A gente apresenta todas as possibilidades que ela tem, tanto na rede de proteção quanto na área da saúde. Mas, claro, a mulher tem a opção, ela tem a escolha dela. O que queremos é pegar na mão dessa mulher que precisa e levá-la até a rede de proteção e protegê-la, porque é isso que ela precisa em uma situação como essa”, afirmou.
O nome da ferramenta faz referência ao Centro de Referência Clarice Lispector, que acolhe e orienta mulheres em situação de violência doméstica por meio de uma equipe formada por psicólogas, assistentes sociais, advogadas e educadoras sociais.
De acordo com a gestão, a ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Vital Strategies e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
O sistema analisou registros de atendimento de 16 mil mulheres vítimas de violência nas Unidades de Saúde da Família do Recife ao longo de 10 anos. Com dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), foram identificados sinais de violência e padrões de adoecimento.