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'Nação bolsonariana'

Idolatrar Trump faz de Flávio vírus pandêmico

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Com algumas decepções anunciadas, outras confirmadas e muitas bajulações implícitas e explícitas a quem não merece sequer um guardanapo com seu nome grifado, a 23ª. Copa do Mundo chega ao fim com a grande descoberta desta etapa julina, época em que as quadrilhas pipocam pelas cinco regiões do Brasil. Depois de uma longa análise a respeito das informações recebidas diretamente do front, o mundo decidiu premiar o poderoso presidente da Fifa, Gianni Infantino, como o bajulador do ano do presidente Donald Trump, o que se autointitula o dono do mundo.

A disputa de Infantino com a ex-poderosa família Bolsonaro foi de unhas, dentes, giletes e navalhas. Desafiando os patriotas que chegaram a imaginar Flávio Bolsonaro vencendo as eleições de outubro e convidando Trump para receber a faixa presidencial em seu lugar, o manager do futebol mundial fez muito pior: reverteu uma correta e justa expulsão de um jogador norte-americano, beijou mais a mão do deus albino e, nos bastidores, deve ter prometido a Donald Trump premiá-lo com uma réplica dourada do troféu da Copa.

Coisas de pessoas sem brio, idolatria oportuna, puxa-saquismo barato ou estridência de seres humanos que nasceram para viver à sombra dos outros. De repente, tudo isso junto. As fotos mostram a evidência do fato. Infantino se apropriou da política do futebol e busca transformar em reis e rainhas qualquer um (a) capaz de lhe oferecer mais patacas, mais favores, mais força sobre os votos das federações de futebol ao redor do mundo e, obviamente, o poder eterno. Igualzinho a Trump.

Comendo poeira na eleição presidencial, o quase ex-senador Flávio Bolsonaro vem tentando de tudo para fazer do mandatário dos Estados Unidos uma espécie de grão-vizir de uma pretensa república bolsonariana. Proprietário ocasional da extrema-direita e sócio majoritário da direita brasileira, o primogênito de Jair Bolsonaro é, como dizem no futebol, um falso 9. Senador com atuação pífia e de quase nenhuma projeção nacional, Flávio um dia ataca para se defender e no outro se defende para atacar.

No jargão futebolístico, o falso 9 é do tipo boneco de posto de gasolina, isto é, não faz uma coisa e nem outra. É o caso do adversário de Lula da Silva, hoje com 8 pontos percentuais à frente de Flávio no segundo turno (45% a 37% das intenções de voto). Para a família, o mais grave é que, na direita não bolsonarista, os votos para 01 despencaram de 82% para 74%. Tudo isso começou a ficar mais nítido após os irresponsáveis e criminosos pedidos do clã Bolsonaro para sancionar o Brasil e prejudicar a população brasileira.

Pelo menos Gianni Infantino foi um meio-campista mais competitivo e menos insignificante, pois deu mole, mas não confundiu bajulação com honra. Eis a razão pela qual a disputa pela principal cadeira política do país está mais calcada muito mais na repulsa do que no mérito. E hoje, o candidato mais repulsivo é aquele a quem a maioria do povo brasileiro culpa pelos rompantes tarifários de Donald Trump. Bajular Trump rendeu a Infantino uma onda de críticas. Quanto a Flávio Bolsonaro, o puxa-saquismo virou um tsunami. O desfecho da história é justo: onde a trapaça e a bajulação imperam, os eventuais méritos são constantemente desprezados.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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