Curta nossa página


Run e Coca

Ilha queima charutos para evitar Cuba lançando para os lados de Donald Trump

Publicado

Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo

A série de sanções criadas por Donald Trump contra o regime de Cuba só não é pior do que a acusação inventada para criminalizar o ex-presidente Raúl Castro, um dos líderes da histórica Revolução Cubana. Posso não ter (e não tenho simpatia) pelos excessos das lideranças da ilha contra o povo. No entanto, não há como não se associar àqueles que, ao mesmo tempo, manifestam solidariedade ao povo local e antipatia total e absoluta às sandices do dominador presidente dos Estados Unidos.

Maluco, utópico, desleixado e político imaginário, Trump parece determinado a derrubar o governo de Miguel Díaz-Canel, exatamente como fez com o venezuelano Nicolás Maduro. Caso não consiga por meio de acordos diplomáticos, o psicótico, insano e demente líder republicano já anunciou que tomará Cuba à força. Ou seja, com o próprio mandato por um fio, todo esse esperneio é para ver Cuba lançar. Na verdade, o objetivo é arranjar um mote que eventualmente satisfaça o ego dos americanos, a maioria até o pote de mágoa com o fracasso da tentativa de invasão do Irã.

Apesar de saber que não conseguirá, Trump quer porque quer minimizar seus altíssimos índices de impopularidade e a iminente derrota nas eleições de meio de mandato, marcadas para novembro próximo.  Para justificar o bloqueio econômico e embasar a acusação contra Raul Castro, Donald Trump se utiliza politicamente de fatos do século passado, entre eles a derrubada de duas aeronaves ligadas ao movimento Irmãos ao Resgate. Ambas foram abatidas após sucessivas invasões ao espaço aéreo da ilha.

Conforme os historiadores, à época, o governo cubano fez vários alertas ao governo norte-americano, mas nunca obteve respostas. Não fosse um déspota e um ególatra com claras simpatias pelo sofrimento alheio, Donald Trump poderia se valer do antigo envolvimento dos Estados Unidos com a história deste pobre, mas lindo país caribenho. Em 1898, os norte-americanos se envolveram diretamente na guerra contra a Espanha para a libertação e emancipação da ilha. Graças aos soldados dos EUA, Cuba se viu livre do império espanhol.

Tudo a ver com o cuba-libre, coquetel surgido durante a referida refrega entre americanos e europeus. Com a obrigação de acreditar, com ressalvas, nas histórias dos historiadores, li que, entre os estadunidenses enviados a Cuba, estava um certo capitão Russell, que supostamente teria levado Coca-Cola para a guerra. Já na ilha, Russell teria solicitado uma dose do rum cubano e misturado ao refrigerante. Portanto, o cuba-libre é uma controversa referência à Cuba livre, objetivo principal das tropas de Russel na ilha.

A controvérsia decorre de fontes não fidedignas, para as quais a Coca-Cola só chegou a Cuba em 1900, dois anos após o retorno do capitão Russell aos EUA. Como no Brasil, o cuba-libre é uma bebida popularíssima, por que não chamar Donald Trump às falas e tentar mostrar ao noviço rebelde que mais vale um cuba-libre na mão, a Cuba livre como nação do que ser obrigado a usar a mão direita para segurar pelo resto da vida cerca de 11 milhões de charutos acesos, babados e prontos para serem entronizados goela abaixo de qualquer um que, gratuitamente, sonhe em ver Cuba lançando.

……..

Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras  

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.